Natural de S. Miguel, nos Açores, Bruno Melo tem 24 anos e está a viver em Lisboa desde novembro de 2020. Veio atrás daquele que achava ser o amor da sua vida. Mas a relação não correu como esperava e ficou sozinho, em Lisboa. Agarrou-se a outro amor… o circo!
A paixão pelo circo começou precisamente com os primórdios do Got Talent Portugal. Viu um concorrente mágico brasileiro a fazer um número com aparição de pombas e ficou fascinado, porque percebeu como é que o artista estava a fazer o truque. Bruno tinha 13 anos. Nessa altura, a irmã inscreveu-o num concurso de talentos açoriano. E ele chegou à final desse concurso!
O talento de tenra idade não passou despercebido à RTP Açores, que agarrou nele como jovem promessa. Num programa de domingo à tarde, que passava pelas várias freguesias, foram ao encontro de Bruno e ele fez um espetáculo de magia em direto no programa. Tinha acabado de fazer 14 anos. Iniciava assim um percurso auspicioso nas artes circenses…
Depois da presença na RTP Açores, foi contactado por pessoas que o queriam contratar para fazer animações e espetáculos. E assim começou a trabalhar na área da magia. Até aos 18 anos foi sempre mágico. Criou 3 espetáculos de magia diferentes. Aos 18 entrou para uma companhia de circo chamada “Associação Nove Circos”. Aí teve contacto com várias áreas, desde malabarismo, equilibrismo, aéreos e teatro. Quis aprender a fazer tudo! Em menos de 6 meses foi convidado a fazer
parte da direção da associação, porque conseguia ser incorporado facilmente nas atuações, dada a sua versatilidade. Começou assim a explorar as várias vertentes do circo. Aos 20 anos teve o primeiro contacto com o tecido aéreo. A associação tinha o equipamento, mas não tinha espaço para o usar. A junta de freguesia, que sempre o havia apoiado, patrocinou-o, dando-lhe a oportunidade de ter um tecido aéreo montado num pavilhão, para treinar. Começou a treinar sozinho, através de vídeos do Instagram e Youtube. E assim treinou durante um ano. Com 21, foi até ao Porto fazer uma
masterclass de tecido aéreo do INAC (Instituto Nacional de Artes do Circo) e aí aprendeu muito.
Voltou para S Miguel cheio de inspiração e com bases sólidas. Começou a ter trabalhos em grandes eventos e festivais, feiras quinhentistas, etc. Foi explorando cada vez mais o tecido aéreo. Numa convenção europeia de malabaristas, em 2018, teve oportunidade de aprender mais com praticantes de outros países. E assim começou a criar os seus próprios espetáculos. Atuava nas grandes salas de espetáculo dos Açores.
Em plena pandemia, foi ter com um professor do Chapitô e os dois começaram a treinar juntos, no jardim do castelo, em Almada. Porém, com as restrições impostas pela pandemia, as oportunidades de trabalho eram escassas. Bruno tinha o curso técnico de gestão de empresas e viu-se obrigado a procurar trabalho na sua área de formação, para se poder sustentar. Afinal, estava sozinho em Lisboa e não contava propriamente com o apoio da família… Em fevereiro de 2021 começou a trabalhar como gestor analista. Mas continuou a treinar com o professor do Chapitô a área de forças combinadas e tem feito espetáculos de magia e animações em festas privadas.