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O Paradoxo nos Jardins Efémeros VII

A VII edição dos Jardins Efémeros, a realizar-se em Viseu entre os dias 7 e 16 de julho com o apoio da Antena 3, escolheu o “Paradoxo” como tema e uma programação continuamente pensada para crianças, jovens e adultos.

As criações preparadas para este ano procuram contribuir para uma reflexão sobre os valores humanistas e democráticos e integrar valores de liberdade, individuais e coletivos. Num tempo em que a sustentabilidade do planeta e a vida humana estão em frágil equilíbrio, é urgente sensibilizar a população e a comunidade artística para a edificação de um mundo plural, agregador, justo, com esperança e criativo.

O Centro Histórico de Viseu será, então, novamente transformado num espaço onde o pensamento experimenta novos contornos com a comunidade pela mão de artistas locais, nacionais e internacionais, servindo de palco para criações artísticas nas áreas da arquitetura, das artes visuais, do som, da dança, do teatro, do cinema, da pólis, das oficinas e dos mercados.

O adro da Igreja da Misericórdia acolherá, no primeiro fim de semana, o duo britânico de hip hop Strange U e o compositor e multi-instrumentista Bruno Pernadas, que apresenta o recente Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them; e, no segundo, a apresentação única do concerto dos Vanessa Amara, que estarão em residência artística em Viseu a preparar o que será uma viagem entre loops e feedback, e o concerto criado especificamente para os Jardins Efémeros que junta os históricos Pop dell’Arte com Tiago Pereira e o Grupo de Percussão de Valhelhas num momento singular. A Associação Cultural Fora de Rebanho de Viseu terá novamente espaço, com a apresentação dos portugueses Phantom Vision e os seus 17 anos de experiência.

O trio de Bordéus Libido Fuzz viajará entre o boogie rock e jams de blues psicadélico na Praça D. Duarte, o mesmo local em que, durante a semana, atuarão Peter Gabriel, duo de Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa, e George Marvinson, pseudónimo de Tiago Vilhena, membro dos portugueses Savanna.

Para fechar as noites de sexta e sábado em formato DJ set, alinham-se Afonso Macedo e Pedro Tudela; Richard Fearless, o fundador da banda Death in Vegas; Superpitcher, um dos heróis da editora Kompakt; e DJ Firmeza, da lisboeta Príncipe Discos.

No primeiro fim de semana, o interior e o claustro da Catedral de Viseu receberão a compositora canadiana de música eletrónica e eletroacústica Sarah Davachi; a dupla Murcof & Vanessa Wagner, que apresentará Statea, trabalho conjunto entre a figura de proa do ambient e a pianista clássica francesa; e Croatian Amor, um dos projetos mais minimalistas de Loke Rahbek, nome por trás da editora dinamarquesa Posh Isolation e uma das principais caras da música escandinava. Uma semana mais tarde, será a vez de Evan Parker, um dos mais influentes saxofonistas europeus e um dos mestres da música atonal e do free jazz; do austríaco Fennesz, acompanhado pelo trompete de Arve Henriksen; da performer e compositora norueguesa Stine Janvin, com a apresentação de Fake Synthetic Music, em que explora e estende as fronteiras da acústica natural da voz; e do americano William Basinski, criador da obra-prima The Disintegration Loops.

No Museu Nacional Grão Vasco, Die von Brau, um dos projetos artísticos de Sérgio Faria, fará uma apresentação única, em harmonia com o filme The Way Things Go, de Peter Fischli e David Weiss. Haverá igualmente cinema ao ar livre, com o programa de Isabel Nogueira, centrado em clássicos como Wim Wenders, King Vidor ou Orson Welles; e o programa do Festival Política, que se estende a Viseu com os filmes Ressurgentes, de Dácia Ibiapina, e Os Negócios de Bruxelas, de Matthieu Lietaert e Friedrich Moser.

O Off the Page, festival literário da revista britânica The Wire, repetirá a sua presença no programa, com várias palestras e um painel de discussão. Evan Parker e Pedro Rebelo lideram ainda um encontro de improvisação com músicos nacionais que culminará num debate moderado por Gabriel Ferrandini.

A partir da natureza e do património cultural da região de Viseu, os artistas Pedro Tudela e Gabriela Albergaria, na sonorização, e os arquitetos Nuno Vasconcelos e Nuno Durão, na coordenação e construção da peça, criam uma imponente peça construída especialmente para a cidade e para os Jardins Efémeros. Peça para Perséfone questiona a ideia de jardim e transformará a Praça D. Duarte numa galeria a céu aberto. A convite da organização, Gabriela Albergaria apresentará também a exposição Endless Infinity.

A partir de uma semente colhida na Praça do Rossio, o projeto de arquitetura Tília, de João Loureiro com a colaboração de Rafael Gomes, apresentará um estudo — do qual resultaram três instalações — da forma e dos elementos que constituem o elemento natural de Viseu e do modo como interagem com o ser humano.

Vestido a Rigor, o projeto participativo de Pedro Rebelo e do coletivo de Barcelona BeAnotherLab, trabalhado de perto com os membros da comunidade cigana do Bairro Social de Paradinha de Viseu com o objetivo de dar a conhecer aquela realidade através de uma experiência imersiva, ficará patente ao público, em forma de instalação, até agosto, no Museu Nacional Grão Vasco.

A parceria entre a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21, a Associação de Viseu de Portadores de Trissomia 21, a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal e as Ourivesarias Pereirinha desenvolve, através de processos colaborativos e transdisciplinares, uma coleção inclusiva de joalharia que será comercializada após o evento com os lucros a reverter para as associações.

O ateliê Centropontoarte pretende dar novamente vida a uma das ruas de comércio tradicional mais importantes da cidade (a Rua Direita), unificando-a pelas palavras dos seus moradores, comerciantes e visitantes. O projeto CEU – Capa Eclética Urbana será composto por instalações e intervenções em lojas vazias e espaços devolutos e por dois pontos de contacto exteriores, que serão palco para várias atividades educativas e lúdicas. Paralelamente, o antigo edifício da loja Fetal será ocupado e transformado num espaço que questiona o universo feminino, com exposições e instalações de artistas locais e nacionais.

Criada em 2015, a Casa do Sonho terá lugar desta vez na Escola Profissional Mariana Seixas e voltará a acolher um conjunto de atividades capazes de educar e estimular a capacidade criativa e imaginativa das crianças e dos jovens. Outro projeto participativo envolve os alunos, professores e instituições de ensino do Agrupamento de Escolas Grão Vasco de Viseu, que, numa parceria educativa com os Jardins Efémeros, recriam carrinhos de mão, em exposição no Parque da Cidade.

Haverá ainda mercados informais, de produtos regionais, artesanais e de sons e letras (com a revista The Wire, a Inc. Edições e Livros de Autor, as Edições de Serralves e a Matéria Prima); Pratos da Casa, com DJ da região a povoar sonoramente o Largo Pintor Gata durante os dez dias da cidade multidisciplinar com as suas diferentes sensibilidades estéticas; performances de teatro de Tiago Mateus com David Pereira Bastos e de Jorge Fraga; um espectáculo de ilusionismo de José Pereira; e 70 oficinas com mais de 3 mil vagas preparadas para todas as pessoas de todas as idades.

Todas as propostas são decorrentes de uma cuidada direção artística, numa programação de carácter urbano, contemporânea e experimental e com os contributos continuados de vários criadores, investigadores, universidades, assistentes sociais, empresas e associações. O objetivo último é o de que as relações estabelecidas em projetos específicos possam ser um ensaio e o início de realizações autónomas futuras — o que, de resto, tem vindo a ser concretizado ao longo das edições anteriores.

A Mariana Oliveira entrevistou Sandra Oliveira, responsável pela criação dos Jardins Efémeros:

Toda a programação e demais informações no site oficial: http://jardinsefemeros.pt

Jardins Efémeros
Data: 7 a 16 julho 2017 (sexta-feira a domingo)
Local: Viseu
Bilhetes: entrada livre