• Poder Soul

    7 setembro 2020 – 11 setembro 2020

    Segunda-feira

    Buddy Ace

    Screaming please

    Duke

    Buddy Ace nasceu Jimmie Lee Land, em Jasper, no Texas, em 1936, mas foi em Baytown, nos arredores de Houston, que foi criado.

    Começou a cantar Gospel, ainda criança, num grupo que também incluia Joe Tex, mas apaixonou-se pelos Rhythm + Blues nos primeiros anos da década de 50, tendo dividido os palcos com nomes como Bobby Bland ou Junior Parker, antes de assinar um contrato com a Duke, em 1955, em que aceitou usar o nome artístico Buddy Ace e que marcaria o início da sua carreira discográfica.

    Entre 56 e 94, ano em que foi vitimado por um ataque cardíaco, durante um concerto, Waco, no Texas, no dia de Natal, gravaria cerca de três dezenas de singles e três álbuns, para marcas como a Duke, a Speciality, a Paula ou a Everjim, primeiro no seu Estado natal e, a partir de 1970, em cidades californianas onde viveu, como Los Angeles ou Oakland.

    Gravado em 61, para a Duke, e, mais tarde, incluído, pela Disques Pop, um e.p. francês, que dividiu com Clentt Gant – “Screaming please” – é, para mim, o maior dos vários hinos que nos deixou este cantor que ficaria conhecido como “The Silver Fox of the Blues”.

    Uma enorme e profunda canção, com uma intensa intro vocal, que cruza, de forma genial, Rhythm + Blues e Soul, retrata na perfeição o seu imenso talento e se transformou numa espécie de Graal da cena especializada.

     

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  • Poder Soul

    7 setembro 2020 – 11 setembro 2020

    Terça-feira

    Cool Sounds

    Where do we go from here (America)

    Warner Bros.

    Os Cool Sounds foram um misterioso grupo californiano, protegido de Bobby Sanders, que esteve activo no início dos anos 70 e desapareceu, logo a seguir, sem deixar qualquer rasto.

    Embora três dos seus cinco singles, gravados entre 71 e 72, tivessem sido editados pela Warner Bros., todos os seus discos foram escritos, produzidos e registados pelo importante cantor de Los Angeles, fundador da Soultown, decisiva independente que nos deu sete-polegadas de culto de nomes como The Younghearts, The Tempos, The Sequins, Sweet Stuff ou Ray Agee (que os licenciou àquela major).

    “Where do we go from here (America)” é o lado b do seu disco de estreia, que tem o hino Sweet Soul – “I’ll take you back (if you promise)” – na face oposta e, na minha opinião, o seu mais marcante tema.

    Uma grande canção Funky Soul, claramente inspirada em Marvin Gaye e de forte consciência política e social, que está entre o melhor que aquela década nos deu e é obrigatória em qualquer coleção que se preze, seja no seu formato original, seja como parte do primeiro volume da excelente recolha da Ubiquity: “California Soul”.

     

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  • Poder Soul

    7 setembro 2020 – 11 setembro 2020

    Quarta-feira

    C.J. + Co.

    Let them talk

    Westbound / Diggin’ Deep

    Cornelius Brown Jr., Joni Tolbert, Connie e Curtis Durden e Charles Clark juntaram-se em Detroit, em 1974, para formarem os C.C. + Company, por sugestão de Dennis Coffey e Mike Theodore, importantes parceiros de produção da Motor City, que se haviam encontrado a meio da década anterior, partilhando projectos de culto, como The Theo-Coff Invasion ou The Strides.

    Depois de editar um single, no ano seguinte, através da Sussex, o quinteto vocal suspendeu a sua actividade, até 1977, ano em que reapareceu rebaptizado como C.J. + Co., para uma curta, mas marcante e bem-sucedida carreira, que o transformou numa referência da cena Disco.

    Até 78, os C.J. + Co. editaram dois Lp e uma mão cheia de singles, através da Westbound, uma das decisivas marcas de Armen Boladian, que tinha Dennis Coffey e Mike Theodore como os seus principais produtores residentes, mas foram muitas mais as gravações que o grupo fez, sob a tutela deste duo.

    “Let them talk”, que há um par de anos foi prensada num colecionável sete-polegadas, pela Diggin’ Deep, foi uma dessas doze canções, arquivadas durante cerca de quatro décadas e reunidas no CD – “Ain’t it amazing” – editado pela Ace, incontornável companhia britânica que adquiriu o catálogo da Westbound, entre muitos outros, é, por estranho que pareça, o mais genial momento do grupo.

    Uma verdadeira obra-prima Sweet Soul, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação absolutamente fabulosos que, depois da sua primeira edição começar a trocar de mãos na casa das centenas, foi reprensado pela Kent, para júbilo de todos os amantes da melhor música negra.

     

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  • Poder Soul

    7 setembro 2020 – 11 setembro 2020

    Quinta-feira

    Howard Kenney

    Save some for the children

    Warner Bros.

    É praticamente nula a informação biográfica disponível acerca de Howard Kenney e um completo mistério como é que este cantor e compositor, que, nos anos oitenta, teve apenas um trio aparições como corista de Lionel Ritchie, Sheila E. e dos Umoja, trabalhou com tanta gente notável no seu único Lp.

    É que “Super star”, longa-duração editado em 1978, pela Warner Bros., do qual foram extraídos três singles, foi gravado entre Nova Iorque e Los Angeles, com metade dos temas a serem produzidos por Larry Blackmon, líder dos cruciais Cameo, tendo os restantes sido dirigidos pelo genial Johnny Pate, conta com a participação de nomes de peso como Patrice Rushen, Harvey Mason, James Gadson, Larry Williams ou a secção de sopros dos Seawind.

    “Save some for the children” é melhor tema deste disco, aquele que lhe valeu um lugar na história.

    Uma grande canção Disco Soul, recuperada por Sadar Bahar, em 2006, na mixtape “Amerikkka”, que nunca falha quando lançada numa pista de dança e que, seja no Lp, seja na sua edição em single de doze-polegadas, pode ser assegurada por uns escassos euros.

     

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  • Poder Soul

    7 setembro 2020 – 11 setembro 2020

    Sexta-feira

    Premonition

    Don’t act like a fool

    Platinum City

    É também muito o mistério que envolve os Premonition ou The Premonitions, como inicialmente se chamavam.

    Sabemos que são nativos de Nova Iorque, que terão sido formados na segunda metade da década de 70, por nove elementos, entre os quais estão os desconhecidos Finley e Harriet Martin, Windy Hoffler, James Pressley, Sheppard, J. Seabrooks e Bill Miller, o produtor do seu ultra-colecionável Lp de estreia, um disco editado em 1978, pela obscura independente Tassi Record Co., que troca de mãos por vários milhares na cena Deep Funk, e que, até 86, gravaram mais três singles para pequenas marcas, igualmente misteriosas, como a Martin ou a Platinum City.

    Não sabemos mais nada.

    “Don’t act like a fool”, o seu derradeiro lançamento é um autêntico Graal Boogie.

    Uma imensa canção Soul, que conta com a voz de Wayne Wofford, um cantor que havia colaborado com os Isley Brothers em “Inside you”, é verdadeiro monstro de pista de dança, suportado por um contagiante trabalho de baixo, raro e extremamente valioso no seu formato original, e acaba de ser recuperado pela Athens of the North, que promete desvendar uma série de temas inéditos num futuro álbum.

     

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