• Poder Soul

    3 maio 2021 – 7 maio 2021

    Segunda-feira

    The Techniques

    Get technified

    Techniques

    Alunos da Madison High School, em Richmond, no Kentucky, Randy Black, David Burdette, Frankie Turner, Paul Walker e Wayne Hill, tinham formado os Mellow Meditators, no início dos anos 70, quando Robert Blythe, um talentoso pianista e professor de matemática daquele liceu, começou a frequentar os seus ensaios.

    Os jovens precisavam de orientação e Blythe, assumiu esse papel, ensinando-lhes teoria musical, primeiro, para, logo a seguir, se tornar no seu manager e, depois de recrutar, Otis Ballard, Jasper White, Floyd Convington e Cynthia Miller, para reforçar o line-up da banda e a rebaptizar como The Techniques, lhe conseguir um contrato com a agência de espectáculos local: Progressive Productions.

    Billy Luxon, o seu fundador, conseguiu que se tornassem numa presença assídua no lucrativo circuito de bases militares, e, em 75, os Techniques tinham dinheiro suficiente para irem a estúdio para gravarem os quatro temas que viriam a resultar nos seus dois únicos sete-polegadas, já que, três anos mais tarde, se viriam a separar.

    “Get technified” é o tema de abertura do primeiro deste par de singles, auto-editados, e, para mim, o mais genial dos grandes temas que nos deixaram.

    Um contagiante instrumental Disco Funk, acompanhado por ad-libs vocais, que leva qualquer pista de dança ao rubro e que, sendo praticamente impossível de assegurar no seu formato original, é um dos excelentes discos que compõem a caixa de 45 singles – “Eccentric Soul – Omnibus: vol 1” – editada pela Numero Group, em 2012.

     

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    3 maio 2021 – 7 maio 2021

    Terça-feira

    Young Mods

    Who You Going To Run, Where You Going To Hide

    Everblack

    Em 1969, depois de ter combatido na Guerra do Vietname, Tommy Henderson regressou a Dayton, no Ohio, para se juntar a Carl Dronaugh, Raymond Smith e Ronnie Ditto e formar o quarteto vocal – Young Mods – cujo nome se inspirou em “The young mod’s forgotten story”, o marcante Lp dos Impressions, editado nesse ano, através da Curtom, de Curtis Mayfield.

    Entre 70 e 76, para além de precorrer os palcos de todo o país, na companhia de uma banda suporte que incluía futuros membros dos Lakeside ou dos Slave, e de abrir concertos de gigantes como os O’Jays, os Delfonics e os Intruders, o grupo viria a editar três singles, através das independentes locais: Gangland, Everblack e Pork.

    Gravado em 71, nos Cyberteknics Studios, de Phil Mehaffey – “Who You Going To Run, Where You Going To Hide” – é o lado b do seu segundo e mais cobiçado sete-polegadas e, na minha opinião, o seu mais genial momento.

    Uma verdadeira prima Funky Soul, que leva à loucura os mais abastados e obstinados Djs e colecionadores e que, finalmente, foi reprensada pela Symphonical Records, tornando-se acessível à generalidade dos adeptos da melhor música negra.

     

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    3 maio 2021 – 7 maio 2021

    Quarta-feira

    Lyn Christopher

    Take me with you

    Paramount

    Nativa de Nova Iorque, Lyn Christopher era uma talentosa cantora branca, com vinte e quatro anos e dois singles editados quando, em 1972, teve a oportunidade da sua vida, ao assinar contrato com Paramount Records.

    Foi para os Electric Lady Studios, na companhia de alguns amigos, como Sharon Redd, mas também Gene Simmons e Paul Stanley, futuros membros dos questionáveis Kiss, para gravar um Lp, homónimo, que seria editado em 73 e a apontou para o estrelato, levando-a a actuar ao lado de nomes como Elton John ou Marc Bolan.

    Mas o sucesso não iria durar. A Paramount foi comprada pela Abc e Lyn Christopher, apesar de ainda ter gravado mais dois discos, que ficariam arquivados, foi abandonada pela major.

    Em 75 voltou a tentar a sua sorte, com a edição de mais um sete-polegadas, através da Granite, mas o futuro condenou-a ao cancro, a sérias dificuldades económicas e ao esquecimento.

    “Take me with you” é um dos temas do seu único álbum e a canção que lhe permitiu ser resgatada para a história.

    Uma autêntica pérola Blue-Eyed Soul que, depois de ter servido de base para temas de artistas chave da cena Hip Hop, como L.L. Cool J., Smut Peddlers ou Havoc, dos Mobb Deep, entre outros, reabilitou Lyn Christopher, que, assim, encontrou forças para regressar.

     

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    3 maio 2021 – 7 maio 2021

    Quinta-feira

    Coco + Ben

    Good feelin

    Earth Word

    Sabe-se pouco sobre este projecto que apenas gravou este sete-polegadas.

    Sabe-se que terá sido formado, no fim da década de 70, pela misteriosa cantora Coco e por Benjamin Robinson e Richard Carl Watson, dois obscuros músicos de Memphis.  E que editou o seu único disco, em 79, através da Earth Word, pequena independente local que apenas lançou este single e que detém o publishing do colecionável sete-polegadas que Richard Carl Watson, gravaria quatro anos mais tarde.

    Não se sabe mais nada.

    Ainda assim, “Good feelin’” transformou-se num autêntico Graal, na cena especializada, desde que foi introduzido nas pistas de dança, por Arthur Fenn, em 82, como um cover-up, atribuído a Barbara St. Clair.

    Uma deliciosa canção Modern Soul, cujo formato original troca de mãos sempre acima do milhar, que, felizmente, foi reeditada pela Hit + Run, no ano passado, tornando-se acessível a todos os amantes da melhor música negra.

     

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  • Poder Soul

    3 maio 2021 – 7 maio 2021

    Sexta-feira

    James Cleveland pres. The Stan Lee Revue

    Make every day count

    Savoy

    Conhecido como o Rei da Música Gospel, James Cleveland nasceu em Chicago, em 1931.

    O crucial reverendo, compositor, produtor, músico e cantor iníciou o seu percurso profissional, em 1950, quando se juntou aos Gospelaires para, doze anos mais tarde, assinar contrato com a mítica Savoy e se mudar para Los Angeles, onde se viria a estabelecer como uma das principais referências do Gospel moderno.

    Foi lá que conheceu Stan Lee e que, em 73, o convidou para dirigir vários dos seus coros e participar em gravações de discos das Voices of Universal Los Angeles ou das Voices of Cornerstone.

    Em 76, Stan Lee criou a sua Revue, para gravar dois dos seus três Lps, em nome próprio, primeiro para a Gosco e, depois, para Savoy.

    “Make every day count” é um dos temas de “Heaven is mine”, o segundo desses álbuns, produzido por James Cleveland e editado em 1980, e um dos maiores hinos que nos deixou.

    Um sublime cruzamento entre Gospel e a melhor Modern Soul, com as vozes principais de Calvin Calhoun e Kenneth Jones, que soa hoje tão maravilhoso, como quando foi gravado.

     

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