• Poder Soul

    24 agosto 2020 – 28 agosto 2020

    Segunda-feira

    Gamith

    Darkness

    JSJ

    É escassa a informação biográfica acerca dos Gamith.

    Sabe-se que terá sido um grupo familar, fundado por Thomas Gilchrist, um nativo de Greenwood, na Carolina do Sul, que tinha acabado de regressar da Guerra do Vietnam, e que esteve activo na viragem dos 60 para os 70, altura em que gravou quatro lados, dividos por dois sete-polegadas, para a JSJ, independente local, criada por Hoyt Sullivan, um importante produtor e empresário daquela cidade, que fundou marcas como a Ken-Tone, a Sav-All, a Su-Ann e a HSE Records e que se destacou no meio Gospel.

    Não se sabe mais nada.

    “Darkness” é o lado b do mais disputado desses singles e um verdadeiro Graal da cena Deep Funk.

    Uma incisiva canção Funky Soul, em que uma produção crúa e vísceral, altamente percussiva, convive com umas cuidadas harmonias vocais, típicas daquela altura, que destroi qualquer pista de dança e que, em 2007, foi incluída na essencial recolha da Jazzman: “Carolina Funk”.

     

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  • Poder Soul

    24 agosto 2020 – 28 agosto 2020

    Terça-feira

    Theatre West

    No more junk

    Black Fire / Backatcha

    O Theatre West foi um colectivo, oriundo de Dayton, no Ohio, que, durante a década de 70, percorreu os Estados Unidos, apresentando espectáculos que enfatizavam a cultura Afro-Americana, através do cruzamento de música com teatro.

    Liderado por Clarence Young III e composto por um talentoso conjunto de músicos, cantores e bailarinos, entre os quais figurava Delbert Taylor, o seu director musical, ex-membro dos colecionáveis Fabulous Originals, que se viria a distinguir enquanto colaborador de Gil-Scott Heron ou dos Slave, o Theatre West deu nas vista em 1971, quando levou a cena “The system”, um espectáculo impar que se propunha retratar a condição negra numa prisão chamada America.

    Em 76, numa altura em que apresentava a peça, musicalmente inspirada no Jazz, na Soul e no Funk –  “Black love” – em Washington D.C., o colectivo foi abordado por Jimmy Gray, o lendário Dj que havia fundado a Black Fire Records, tendo sido decisivo para a carreira de nomes como os Oneness of Juju, para ir aos Arrest Studios, gravar um Lp.

    Problemas de financiamento, fizeram com o que o disco ficasse arquivado até 93, ano em que foi, finalmente, editado, apenas em CD, com o título “Bow to the people”

    “No more junk” é um dos grandes temas desse álbum e, no ano passado, acabou por ser prensado num belo doze-polegadas da Backtacha, que recupera quatro canções do disco.

    Uma enorme canção Funky Soul, temperada pelo Disco, que tem um imenso potencial de pista e que retrata, na perfeição, o grande talento deste conjunto de artístas, que se movimentavam, com a mesma destreza, nas mais variadas expressões da música negra contemporânea.

     

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  • Poder Soul

    24 agosto 2020 – 28 agosto 2020

    Quarta-feira

    The Lightmen Plus One

    The phantom

    Lightnin’

    Um grupo de músicos de Houston, que abrigou talentos como Ali Kahn Omar, Carl Adams, Doug Harris, Ed Rose, James Hensley, James Johnson, Joe Singleton, Kenny Abair, Marsha Frazier, Mike O’Connor, Ronnie Laws ou Virgil Solomon, The Lightmen Plus One terá sido o mais marcante projecto do baterista e activista negro Bubbha Thomas.

    Nascido em 1937, Bubbha Thomas cresceu dividido entre o basketball e a música e, nem o facto de ter feito parte da orquestra da Booker T. Washington High School, sob a tutela do decisivo Conrad O. Johnson, mais tarde mentor da Kashmere Stage Band, o ajudou a resolver o dilema.

    Em 57, quando concorreu a frequentar a Universidade de Wiley, teve que decidir entre entrar imediatamente com uma bolsa musical, enquanto baterista, ou esperar um ano para ter acesso ao ensino superior, com uma bolsa desportiva. Decidiu pela primeira hipótese, para bem das cenas Jazz, Soul e Funk do Texas.

    Na década de 60, tocou com nomes como Chuck Jackson, Don Wilkerson, Leon Spencer, Melvin Sparks, Buddy Ace, O.V. Wright ou os Mighty Clouds of Joy e, na viragem para os 70, usou a sua reputação para ajudar a amplificar o alcance do Civil Rights Movement, primeiro como editor do periódico Voice of HOPE e depois como apresentador de um programa televisivo e de um show radiofónico, em que usava a música para “questionar” o sistema de privilégio branco vigente, através de “provocações” como – “Why do racists fear Jazz?”.

    Foi nesta altura que fundou os Lightmen Plus One, com quem, entre 1970 e 80, gravaria quatro Lps e sete singles, para a Judnell e para a sua Lightin’ Records, todos cruciais e extremamente colecionáveis.

    “The phantom”, que fecha o alinhamento de “Energy control center”, o seu terceiro longa-duração, editado em 72, terá sido a sua primeira incursão ao Funk e o seu bilhete de entrada nas pistas de dança especializadas.

    Um grande instrumental, onde são evidentes as suas raízes no mais espiritual Jazz, que, felizmente, foi recuperado pela Now-Again, primeiro quando foi incluído na sua obrigatória recolha de 2001 – “The Funky 16 Corners” – e, há um par de anos, quando reeditou o histórico Lp de que faz parte.

     

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  • Poder Soul

    24 agosto 2020 – 28 agosto 2020

    Quinta-feira

    Maurice Moore + Family Affair Band

    Everything that shines ain’t gold

    Marjon International

    Maurice Moore nasceu e cresceu em Warren, uma pequena cidade no estado do Ohio.

    Aprendeu a tocar sozinho e no príncipio da década de 70, começou o seu percurso artístico com a fundação dos Soul Dimensions, a sua primeira banda, com quem abriu os espectáculos locais de nomes famosos, como os O’Jays, Kool + The Gang, Bar-Kays, Parliament-Funkadelic ou Dramatics, entre outros.

    Inspirado pelos feitos de Berry Gordy, optou por ser senhor do seu destino e, em 1975, editou o seu primeiro disco, como Watch Tower, através da Tower High, marca que criou para o efeito.

    No ano seguinte, foi até ao Pegasus Studio, e registou um ultra-colecionável Lp, onde se pode encontrar a primeira versão deste tema, que, mais uma vez, teve edição própria, tendo a sua reduzida prensagem sido distribuída, porta a porta, pelo próprio Maurice Moore.

    Logo depois, passou uma temporada em Nova Iorque, onde ficou amigo de Eddie Kendricks e de David Ruffin, que o viriam a apresentar ao seu ídolo e a tratá-lo pela alcunha Motown.

    Esta versão tardia e uptempo de “Everything that shines ain’t gold”, foi gravada em 77, para a Marjon International, independente local fundada por Johnny e Martha Krizancic, depois de ter regressado à sua cidade natal, onde manteve a sua pertinência, seja com os projectos O-Zone, Mojo ou Studio Band, seja como Dj em clubes e estações de rádio da cidade.

    Uma verdadeira obra-prima, que está entre a melhor Soul que os anos 70 nos deram e que, sendo bastante rara e valiosa no seu formato orginal, foi reeditada pela Melodies International, em 2017, num maxi que junta as duas partes da canção, inicialmente distribuidas pelo lado a e b, do single inicial.

     

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  • Poder Soul

    24 agosto 2020 – 28 agosto 2020

    Sexta-feira

    J.P.'s Force

    Shake what you got

    Sensational

    Joe Phillips nasceu em Darlington, na Carolina do Sul, em 1951, mas foi em Washinton D.C., que fez grande parte da sua carreira, que culminou com a acquisição dos direitos para “ressuscitar” os Winstons, a mítica banda local, liderada por Richard Spencer e Gregory Coleman, que esteve activa na viragem dos 60 para os 70 e que assinou o hino “Color him father” e nos deu o decisivo Amen Break, embora nunca tenha feito parte da sua formação original.

    Guitarrista, cantor e director músical, Phillips, também conhecido por Jumpin’ Joe, fez parte dos Rocks e dos Booty People, escreveu canções para os Summits, os Past, Present + Future e os Promise, andou na estrada com Barry White, os Stylistics ou os Delfonics, entre outros, e, a meio da década de 80, fundou a J.P.’s Force, para assinar alguns hinos maiores da cena Boogie, que editou através da Sensational Records, independente que criou para o efeito.

    Parte do alinhamento do colecionável Lp – “Time to throw down” – e prensado em maxi, em 1985, e em sete-polegadas, no ano seguinte, “Shake what you got” é, para mim, o seu momento de eleição.

    Uma grande canção Modern Soul que, sendo rara e pouco acessível nos seus formatos originais, foi reprensada, em 2009, pela Peoples Potencial Unlimited.

     

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