• Poder Soul

    2 novembro 2020 – 6 novembro 2020

    Segunda-feira

    Syreeta

    I love every little thing about you

    MoWest

    Syreeta Wright nasceu em Pittsburgh, na Pensilvânia, em 1946.

    Mudou-se, com a família, para Detroit, onde completou o Liceu, antes de ir trabalhar para a Motown, como secretária de Mickey Stevenson, na altura A&R da histórica companhia de Berry Gordy.

    Depois de ser “descoberta” por Brian Holland, que a começou a usar como voz secundária em várias gravações, fez a sua estreia, em 67, com um single editado pela Gordy, enquanto Rita Wright.

    Nos anos que se seguiram, aprofundou a sua relação com Stevie Wonder, com quem esteve casada,  de 70 a 72, que a convenceu a começar a escrever canções, como “It’s a shame”, imortalizada pelos Spinners, e a investir na sua carreira a solo, enquanto Syreeta.

    Entre 72 e a primeira metade da década de 80, teve um notável e marcante percurso artístico, tendo gravado uma dezena de Lps e o dobro dos singles, sempre para marcas do império nascido na Motor City e estabelecido em Los Angeles, e colaborado com nomes chave como Stevie Wonder, Billy Preston, Quincy Jones, Gary Bartz, Patrice Rushen, Wayne Henderson, George Duke ou Donald Byrd, entre outros.

    Editado em single, pela MoWest, em 72, mas também tema de abertura do seu Lp de estreia, homónimo – “I love every little thing about you” – é um dos maiores hinos que nos deixou.

    Uma extraordinária versão da canção de Stevie Wonder, que deixa aqui a sua incontornável e futurista marca, como produtor e teclista, que está entre a melhor Soul, gravada nos anos 70 e é obrigatória em qualquer coleção que se preze.

     

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  • Poder Soul

    2 novembro 2020 – 6 novembro 2020

    Terça-feira

    Cookie Thomas + The C.T. Band

    Black velvet soul – Part I

    Mon-Tab

    É escassa a informação biográfica disponível acerca de Cookie Thomas.

    Presume-se que será nativa da Califórnia e sabe-se que esteve activa entre o princípio dos anos 70 e a primeira metade dos 80, tendo gravado três singles, primeiro para a Mon-Tab, pequena independente de Los Angeles, que também nos deu discos de culto de Janice McClain, Oliver ou Charles McCormick, e depois para a CNF, marca de Fort Worth no Texas que, para além de Cookie Thomas, apenas editou “Stutt yo Stuff”, o clássico Boogie dos Starfire Ltd.

    Não se sabe mais nada.

    Escrito por Bob Harvey, o baixista dos Jefferson Airplane – “Black velvet soul” – é o seu disco de estreia e o seu mais excepcional momento.

    Uma enorme canção Funky Soul que, embora tenha passado despercebida quando foi gravada, transformando-se num disco altamente colecionável, no seio da cena especializada, serviu de base instrumental para o tema de “Female trouble”, de John Waters, numa versão com outra letra e interpretada por Divine, mítica Drag Queen e princípal protagonista deste histórico filme.

     

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    2 novembro 2020 – 6 novembro 2020

    Quarta-feira

    Robert Parker

    I caught you in a lie

    Nola

    Saxofonista e cantor, nascido em Mobile, no Alabama, em 1930, Robert Parker foi um dos protagonistas da revolucionária cena da New Orleans do pós-guerra, que tanto influênciou o nascimento de géneros tutelares da música moderna, como os Rhythm + Blues e o Rock’n’Roll.

    Iníciou o seu percurso artístico no fim dos anos 40, ao lado de Professor Longhair, que acompanhou na gravação do histórico “Mardi Gras in New Orleans”.

    Na década que se seguiu, colaborou com nomes como Fats Domino, Earl King, Huey “Piano” Smith, Eddie Bo, Ernie K-Doe ou Irma Thomas, até gravar o seu primeiro single, em 1958, para a Ace, arrancando para uma sólida carreira, em nome próprio, que se reflectiu na edição de um Lp e quase duas dezenas de singles, através de marcas como a Ronn, a Imperial, a Nola, a Silver Fox, a SSS International ou Island, entre os quais figuram clássicos, como “The scratch” ou “The hiccup”, e êxitos estrondosos, como “Barefootin’”.

    Escrito por Lee Diamond, produzido por Wardell Querzegue e gravado em 1967, para a decisiva Nola Records – “I caught you in a lie” – é, na minha opinião, o seu mais genial momento.

    Uma verdadeira obra-prima Crossover, com uns arranjos e uma interpretação do outro mundo, que se transformou num cobiçado hino nos vários quadrantes da cena Soul e acabou de ser reprensada no âmbito do tão questionável Record Store Day.

     

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  • Poder Soul

    2 novembro 2020 – 6 novembro 2020

    Quinta-feira

    Grupo Oz

    Fly

    Raff

    Formado por um talentoso e versátil coléctivo de anónimos músicos de estudio, o Grupo Oz nasceu em 1971, na Cidade do México.

    A exemplo do que faziam Santana, Black Merda ou El Chicano, entre outros, a banda propunha-se a explorar, de uma forma competente e personalizada, a fusão entre as suas raízes latinas e o Rock, o Funk e a Soul.

    Em 72, o Grupo Oz gravou o seu único Lp, homónimo, para a Raff, decisiva editora local que também nos deu discos cruciais de nomes como Three Souls in my Mind, Peace + Love, Cossa Nostra ou El Ritual, antes de cessar a sua actividade, na sequência do flop comercial do disco, que até chegou a ser prensado em Espanha, sem qualquer resultado.

    Ainda assim, isso foi o suficiente para o seu nome ficar na história do melhor que o género nos deu.

    “Fly” é um dos bons temas que compõem o alinhamento deste sólido longa-duração e, para mim, a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Um incisivo e crú instrumental, que leva ao rubro qualquer clube e que, apesar de pouco acessível no seu colecionável formato original, pode ser facilmente assegurado nas reedições promovidas pela Lazarus, em 97, e pela Secret Stash, em 2011.

     

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    2 novembro 2020 – 6 novembro 2020

    Sexta-feira

    Galaxy

    Dance wit me

    Marjon International

    Para além do facto de serem oriundos de Youngstown, no Ohio, sabe-se muito pouco acerca destes Galaxy.

    Sabe-se que estiveram activos no fim da década de 70, que terão sido apadrinhados por Rande Isabella, mentor dos Acts e um dos protagonistas das cenas Soft Rock e AOR daquele estado, que apenas editaram um sete-polegadas, através da Marjon International, importante marca fundada por Johnny e Martha Krizancic, em Sharon, no estado vizinho da Pensilvânia, que também nos deu discos obrigatórios de Maurice Moore + Family Affair Band ou da Sky’s the Limit Band, e ficamos por aqui…

    Escrito e produzido por Rande Isabella e gravado em 1979 – “Dance wit me” – é o lado A do seu solitário double-sider, que tem o excelente “Love on my mind” na face oposta, e um absoluto clássico Deep Disco.

    Uma contagiante canção, que foi introduzida com estrondo na cena especializada, no princípio deste milénio, trocando de mãos por várias centenas, até terem sido descobertas cópias de stock, perdidas num armazém, e que nunca falha quando lançada numa pista de dança.

     

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