• Poder Soul

    15 junho 2020 – 19 junho 2020

    Segunda-feira

    Professor Longhair

    Big Chief – Part 1

    Watch

    Nascido Henry Roeland Byrd, em Bogalusa, no Louisiana, em 1918, Professor Longhair, além de ser um pioneiro da singular cena músical de New Orleans, pode ser considerado um dos pais da música popular moderna, ao contribuir, decisivamente, para o surgimento dos Rhythm + Blues.

    Pianista com um estilo inconfundível, iníciou a sua carreira em 1948, tendo sido baptizado como o seu nome artístico por Mike Tessitore, dono do histórico Caldonia Club, onde actuava regularmente.

    Gravou o seu primeiro 78 rotações, para a Star Talent, na companhia dos Shuffling Hungarians, um ano depois, misturando Blues e Boogie-Woogie com estruturas rítmicas inspiradas em géneros Afro-Cubanos, como a Rumba, sendo crucial na revolução que resultaria na “invenção” dos Rhythm + Blues, primeiro, e mais tarde do Funk e influenciando fortemente nomes chave como Fats Domino, Eddie Bo, Allen Toussaint ou Dr. John, entre muitos outros.

    Até 1980, o ano da sua morte, Professor Longhair, assinou algumas dezenas de importantes discos, para marcas como a Federal, a Ebb, a Ronn, a Watch ou a Atlantic, onde constam uma mão cheia de clássicos, ainda que só tenha chegado aos Lps, em 72, e que tenha conhecido tempos dificeis, na viragem dos 50 para os 60, tendo até sido porteiro, porque a música não dava dinheiro que chegasse e o vicio no jogo não ajudava.

    Gravado em 64, numa sessão dirigida por Wardell Querzegue, e editado pela Watch, independente fundada por este importante produtor e compositor, em sociedade com Earl King – “Big Chief” – é, provavelmente, o maior dos grandes temas que nos deu.

    Um contagiante instrumental, dominado pelo seu caracteristico piano e por uma musculada e singular batida, que cruza, de forma desconcertante, Rhythm + Blues e Funk e faz o pleno nos vários quadrantes da cena retro.

     

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  • Poder Soul

    15 junho 2020 – 19 junho 2020

    Terça-feira

    Shirley Wahls

    Tell the truth

    Giant

    Nativa de Marvell, no Arkansas, Shirley Wahls nasceu em 1941, para deixar a sua marca na cena Soul de Chicago, depois de ter tido um marcante percurso a cantar Gospel.

    Com apenas três anos já cantava na Igreja frequentada pela sua familia, tendo iniciado a sua carreira, muito cedo, integrada no Coro Junior da Mt. Pleasant Baptist Church, então dirigido por Ruth Jones, mais tarde conhecida por Dinah Washington.

    Depois de ter decidido fazer do canto a sua profissão, passou pelos importantes colectivos Gospel The Argo Singers, The Ward Singers e The Dorothy Norwood Singers, na viragem dos 50 para os 60, participando na gravação de vários discos, para a Vee Jay e para a Savoy.

    Na segunda metade da década de 60, fixou-se em Chicago, tendo trocado a música religiosa pela secular, o que a levou a editar uma pequena série de sete importantes singles, através da Calla, da King, da Giant, da Blue Rock e da Smash.

    Depois de uma passagem pelos míticos Rotary Connection, ainda gravou um sete-polegadas em 76, em Miami, para a Blue Candle, uma das marcas de Henry Stone, antes de voltar à Igreja e ao Gospel, com a fundação do seu próprio grupo: The Shirley Wahls Singers.

    Lançado pela Giant, de Jo Armstead e Mel Collins, em 68 – “Tell the truth” – foi o seu terceiro disco, em nome próprio, e, para mim, a sua grande contribuição para as pistas de dança.

    Uma potente canção Sister Funk, que mostra bem as suas enormes capacidades vocais e que, não sendo daqueles singles incomprotáveis no seu formato original, foi reeditado pela omnipresente Tramp, no ano passado.

     

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  • Poder Soul

    15 junho 2020 – 19 junho 2020

    Quarta-feira

    Ed. Nelson

    I'll give you a ring (when I come, if I come)

    Sagittarius

    Edward “Apple” Nelson é, até hoje, um dos poucos repetentes no Poder Soul.

    É que este baterista, cantor, compositor, produtor e editor, nativo de New Orleans levou, logo depois de Earl Palmer, o ritmo síncopado característico da sua cidade natal, para Los Angeles, onde viria a formar o projecto de culto Apple + The Three Oranges, que já teve o devido espaço nesta rubrica.

    Nascido em 1942, Nelson decidiu meter-se a caminho da Costa Oeste, aos dezoito anos, depois de, inspirado pela música de Professor Longhair ou de Eddie Bo, ter começado a tocar bateria no Liceu, ao lado do crucial James Black.

    Depois de se instalar na Cidade do Anjos, em casa de uma tia, começou logo a tocar com nomes como Johnny Morrisette, Johnny “Guitar” Watson, Etta James, Leon Gardner, Marie Franklin, Arthur Monday e, supostamente, com Dyke + The Blazers, antes de formar os Apple + The Three Oranges, com quem se estreou em disco, em 70, através da Stage Music, para, nesse mesmo ano, fundar a Sagittarius Records, onde viria a lançar os restantes três sete-polegadas do seu projecto de culto e o único single em usou o seu nome de baptismo.

    “I’ll give you a ring (when I come, if I come)”, é o disco que marca a estreia desta pequena independente, que apenas duraria um par de anos e uma verdadeira obra-prima Sweet Soul.

    Uma enorme canção, com uns tremendos arranjos e um registo deliciosamente low-fi, onde prova cantar tanto, quanto tocava, cujo formato original troca de mãos por valores na casa dos quatro algarismos e que, se não fizesse parte da extraordinária recolha da Now-Again – “Loving on the flipside” – eu não conseguiria partilhar.

     

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    15 junho 2020 – 19 junho 2020

    Quinta-feira

    King Solomon

    Politician rag

    Mader-D

    King Solomon nasceu em Tallulah, no Louisiana, em 1940, mas foi em Los Angeles que fez quase todo o seu percurso artístico.

    Como tantos na sua geração, começou a cantar muito cedo na Igreja e, durante dez anos, andou na estrada, como membro do popular Friendly Brothers Spiritual Quartet.

    Na segunda metade dos anos 50, durante uma tour com o quarteto Gospel, decide trocar a música religiosa pela secular e dedicar-se aos Blues, juntando-se a Lafayette Thomas na Blues Blasters Band, grupo com que se estreou em disco, em 1957, ao assegurar a base intrumental de um dez polegadas de Jimmy Wilson.

    Em 61, iníciou a sua irregular e intermitente carreira discográfica, em nome próprio, tendo, nas quase duas décadas que se seguiram, editado duas versões do mesmo Lp e perto de duas dezenas de singles, através de independentes de culto como a Ball, a Magnum, a Kent, a Highland, a Stanson ou a sua Mader-D, entre os quais constam alguns clássicos.

    Registado em 72, “Politician rag” é, provavelmente, o maior desses hinos e foi um dos temas que gravou para o ultra-raro Lp – “Blues Blues” – que, depois de ter tido uma reduzidíssima edição low-cost, pela Mader – D, foi recuperado, numa versão mais polida, pela Celestial, uma das marcas de Sonny Craver, seis anos mais tarde, com o título “Energy crisis”.

    Um grande instrumental Funk, acompanhado por um delicioso spoken-word, que se transformou num tema referência das cenas Rare Groove e Deep Funk e que, em 2010, foi incluído na excelente recolha da Jazzman: “California Funk”.

     

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  • Poder Soul

    15 junho 2020 – 19 junho 2020

    Sexta-feira

    Bostonian

    Keep the groove

    Platinum Blue Rose

    Bostonian foi um grupo fictício criado pelo baixista, compositor e produtor Tony Green, em parceria com Felix Washington e Doug Possion, que apenas gravou um sete-polegadas, em 1981.

    Nativos de Detroit, Tony e Felix eram dois primos que haviam despertado para a música, acabados de entrar na adolescência, como fãs dos Dramatics, lendas locais com quem o primeiro viria a trabalhar, entre 74 e 80, o ano em que chegou ao fim a sua primeira encarnação.

    O talentoso músico, que além de tocar com os Dramatics, assinou algumas das suas canções, bem como de nomes como Leroy Hutson, Jones Girls ou os Five Special, com que também gravou, decidiu que era altura de criar um projecto que controlasse por completo e chamou o seu primo e Doug, um amigo baterista, que tinha uma pequena companhia de construção civil, que permitiu financiar o projecto, e formou os Bostonian, com o intuíto de gravar “Keep the groove”.

    Depois de recrutarem Donald Williams, para voz principal, Duane Wells e Greg Johnson, para os sopros e as prestigiadas Brandy, para os coros, marcaram uma sessão de gravação nos Sound Suite Studios e prensaram 500 cópias do seu único single, que lançaram numa marca criada para o efeito – a Platinum Blue Rose.

    Apesar de ter tido algum airplay local, “Keep the groove” vendeu, apenas uma dezenas de cópias, tendo as restantes sido armazenadas na cave de casa de Tony Green, que desisitiu do projecto para se manter em actividade, como músico de sessão, e vir a ser uma das figuras chave da Death Row Records e de discos de Snoop Dog e de Dr. Dre, à espera de serem descobertas pela cena Soul especializada, quase duas décadas depois, e, aí sim, voarem por valores na casa das centenas.

    Uma tremenda canção Modern Soul, temperada pelo Boogie, vigente naquela altura, que leva qualquer pista de dança ao delírio e que acaba der ter uma cuidada reedição da Clap City Records.

     

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