• Poder Soul

    11 janeiro 2021 – 15 janeiro 2021

    Segunda-feira

    Pastor T.L. Barrett + The Youth for Christ Choir

    Like a ship

    Mt. Zion Gospel Productions

    Nascido em 1944, no meio de uma família, de Nova Iorque, ligada à música e à religião, Thomas Lee Barrett Jr., mudou-se para Chicago, ainda criança, e foi lá que se viria a transformar num carismático pastor, activista e músico, assim como foi lá que, mais tarde, foi condenado por montar um esquema de pirâmide, no seio da sua congregação, com o intuito de desviar um par de milhões de dollars para si e para a sua família.

    O seu percurso começa em 1966, quando se torna pastor da Mt. Zion Baptist Church e os seus sermões cativam gente como Donny Hathaway, Phil Cohran ou Maurice White e Philip Bailey, dos futuros Earth, Wind + Fire, acabando por gerar uma dinâmica criativa que se viria a reflectir na música, com a criação da Mt. Zion Gospel Productions, e no activismo político e social, com a fundação do Youth for Christ Choir, uma actividade pós-escolar que procurava complementar a educação de jovens desprotegidos do Sul de Chicago, no âmbito da Operation Breadbasket.

    O coro começou a cantar em espectáculos da Operation Breadbasket Orchestra, dirigida por Gene Barge, Barrett começou a re-arranjar clássicos Gospel e a escrever canções originais, e, pouco depois, estariam em estúdio para gravar “Like a ship (without a sail)”, um histórico e colecionável Lp, que conta com a crucial colaboração de nomes chave da cena musical da Windy City, como Richard Evans ou Phil Upchurch.

    Até 2017, Pastor T.L. Barrett editou cerca de dezena e meia de discos mas foi este que lhe assegurou um lugar de destaque na história da música negra.

    “Like a ship” é o tema de abertura deste impressionante álbum, com o mesmo nome, editado em 1971. 

    Uma verdadeira obra-prima Gospel Funk e completamente obrigatória em qualquer coleção, pelo menos desde que este disco fundamental foi reeditado, primeiro pela Light in the Attic, em 2010, e, depois, pela Numero Group, sete anos mais tarde.

     

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    11 janeiro 2021 – 15 janeiro 2021

    Terça-feira

    Willie Tee

    Teasing you again

    Gatur

    Nascido Wilson Turbinton, em New Orleans, no Louisiana, em 1944, Willie Tee é, até à data, um dos poucos “repetentes” do Poder Soul.

    Mas o output artístico deste produtor, compositor, teclista e cantor justifica-o.

    É que desde 1962, ano em que se estreiou em disco, através da AFO Records, até nos deixar, em 2007, foram muitos os clássicos obrigatórios que assinou, seja nos dois Lps e na mais de dezena e meia de singles que editou a solo, seja como membro dos Gaturs e dos Wild Magnolias ou como compositor de monstros com “One more chance”, imortalizado por Margie Joseph.

    Assim, depois de “Don’t get caught”, um tema gravado em 76, que se manteve inédito até a Super Disco Edits o desvendar, em 2017, e do raríssimo “Concentrate”, chegou a vez de destacar “Teasing you again”.

    Uma autêntica obra-prima Crossover, escrita por Earl King e editada pela  sua Gatur, em 72, que troca de mãos na casa dos milhares, no seu formato original, por várias dezenas, na reedição de 2003, feita pela Grapevine 2000, e que, felizmente, foi reprensada, há uma par de meses, a pretexto do Record Store Day.

     

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    11 janeiro 2021 – 15 janeiro 2021

    Quarta-feira

    The Mixed Breed

    Wise

    Innovation

    Nativos de Washington D.C., Billy Pierce, Charlie Oliver, Jimmy Lewis, Kenny Wylie e Theresa Tucker, já tinha estado juntos, como The New Esquires, uma banda que formaram na Coolidge High School e que, para além de ter deixado a sua marca com uma residência no Rocket Room, acompanhou o popular quarteto vocal – The Cytations – na gravação de “Darling you do”, quando, em 1970, decidiram recrutar Paul Greenwall, Robert Talford, Tommy Anderson e Wayne Cooper, para se reagruparem, enquanto The Mixed Breed.

    A banda começou, imediatamente, a dar nas vistas e, em 72, depois de ter assegurado o suporte instrumental dos Soul Children, no Howard Theatre, associou-se à Sound Innovation, a dinâmica agência de Burt Rosenburg que havia lançado os Young Senators.

    No ano seguinte, Rosenburg marcou uma sessão de gravação num estúdio de Silver Spring, no estado de Maryland, para registar aquele que viria a ser o seu único disco.

    Em 76, o seu contrato com a Sound Innovation ainda foi comprado pela RCA, e os Mixed Breed ainda gravariam um disco que não chegaria a ver a luz do dia, antes de cessarem a sua actividade artística.

    Produzido por Allan Goldstein, “Wise” é o lado b do seu enorme double-sider, que tem a maravilhosa canção Sweet Soul – “Gotta get home” – na face principal, e a sua grande contribuição para as pistas de dança.

    Uma poderosa canção Funky Soul, que alia uma contagiante secção rítmica a umas belas hamonias vocais e a doses certas de psicadelismo e que tem vindo a conquistar um crescente protagonismo nos mais progressivos sectores da cena especializada.

     

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    11 janeiro 2021 – 15 janeiro 2021

    Quinta-feira

    Trust

    Funk power

    Star Fox

    Jeffrey, Tony e Terry Smith era três irmãos, pré-adolescentes, de Fort Wayne, no Indiana, quando começaram a tocar juntos, na viragem dos 60 para os 70.

    Seis anos depois, já na Northside High School, os irmãos, então intítulados The Invitations, acolheram o seu colega e guitarrista – Gary Brabson – para se transformarem nos Trust, e, embora proíbidos, pela sua mãe, de fazerem o circuíto de clubes nocturnos, começarem a tocar fora dos limites da sua casa de família.

    O grupo passou a ser presença assídua em bailes e a limpar todos os concursos de talento do seu Liceu, chegando a abrir um concerto dos Commodores, quando decidiu concorrer ao The Bong Show, um clone local do programa da NBC – The Gong Show – que anualmente promovia uma competição para o seu genérico, premiando o vencedor com um contrato discográfico com a Star Fox Enterprises, empresa do one-hit wonder Troy Shondell, que tinha sido importante no lançamento dos Patterson Twins.

    Em 1978, os Trust passaram dois dias nos estúdios da Star Fox, para gravarem aquele que seria o seu único disco, na companhia do saxofonista Baggy Jaws.

    A banda ainda teria oportunidade de registar um longa-duração mas a invasão do estúdio por parte de um grupo rival que lhes destruiu todo o seu equipamento, levou Gary e os irmãos Smith a desitirem da sua carreira artística.

    “Funk Power” é o lado A do seu excelente sete-polegadas e foi o suficiente para lhes assegurar um lugar de culto, entre os mais obstinados Djs e colecionadores.

    Um contagiante instrumental Funk, pontuado por uns certeiros ad-libs vocais, que incitam à festa, quase impossível de assegurar no seu formato original, mas que, felizmente, foi incluído na obrigatória caixa da Numero Group: “Eccentric Soul: Omnibus vol.1”.

     

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    11 janeiro 2021 – 15 janeiro 2021

    Sexta-feira

    Errol de La Fuente

    Happiness

    Bongo Music

    Também conhecido como PACRO, Errol de La Fuente nasceu em 1953, em Paramaribo, a capital do Suriname, o mais pequeno país da America do Sul.

    O cantor ficou famoso por, nos anos 80, ter fundado os South South West, o mais bem-sucedido grupo daquele país, que se mantém em cena, com a mesma popularidade de sempre, há mais de quatro décadas.

    Mas foi no ínicio dos 80, que Errol de La Fuente assinou os seus melhores discos, depois de ter passado pelos Nice + Easy, banda que fundia géneros locais, como Kaseko, com linguagens vigentes, como a Pop e a Soul, e com quem gravou um single, em 77.

    Dois altamente colecionáveis sete-polegadas, editados pela Bongo Music, em que mergulhou de cabeça no Disco, no Funk e no Boogie.

    Escrito e produzido pelo multi-instrumentista Ruben Sno, “Happiness” é o lado b do primeiro desses discos e, sem qualquer dúvida, o seu mais genial momento.

    Uma enorme canção Disco Soul, que não deve nada às mais independentes pérolas que nos chegavam dos Estados Unidos, que nunca falha quando lançada numa pista de dança e que, sendo rara e valiosa no seu formato original, em 2016 foi incluída em “Suriname Funk Force”, uma excelente recolha da melhor música daquele país, promovida pela holandesa Rushhour.

     

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