• Poder Soul

    1 novembro 2021 – 5 novembro 2021

    Segunda-feira

    The Web

    Things are going to work out right

    CES

    The Web foi um grupo formado, a meio da década de 70, pelos irmãos Jeff e Gene Adolphus e por Anthony Richards, Harrington Trap, Earlind Henderson e Ivan Domingo, todos emigrantes do Belize a viver em Brooklyn.

    A sua extrema popularidade junto dos muitos seus conterâneos, que compunham a comunidade daquela área da Grande Maçã, levou-os a gravar dois singles, que seriam editados através da CES, crucial editora do seu país natal.

    Apesar de tocarem semanalmente e de terem partilhado palcos com nomes de peso como Cameo, B.T. Express, Fat Back Band ou Crown Heights Affair, a falta de promoção, a deficiente distribuição dos seus discos e o nulo interesse de companhias discográficas norte-americanas levaram a banda a cessar as suas actividades.

    “Things are going to work out right” é o ultimo do par de sete-polegadas que editaram em 1975 e, para mim, o seu momento supremo.

    Uma grande canção Soul, temperada pelos Blues e por uma pitada de psicadelismo, que não deve nada ao melhor que os seus parceiros americanos nos deram.

     

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  • Poder Soul

    1 novembro 2021 – 5 novembro 2021

    Terça-feira

    Preacherman Isidore Womack

    I’ve got power in my mind

    Ed. Autor

    Este maravilhoso e raríssimo sete-polegadas é o único vestígio da existência dos misterioso Preacherman Isidore Womack, um reverendo e cantor Gospel sobre o qual não se sabe absolutamente nada.

    O facto deste disco, que foi auto-editado, em 1978, ter sido gravado nos Alpha Studios, com o suporte da banda local – The Unlimited – leva-nos a crer que será nativo de Richmond, na Virginia, mas ficamos por aí.

    E, por muito que hajam rumores de que Isidore Womack, terá visitado todas as lojas de discos da cidade para o distribuir pessoalmente, ninguém tem presente a sua memória.

    Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo – “I’ve got power in my mind” – é um verdadeiro Graal Gospel Funk.

    Uma imensa e poderosa canção despida de qualquer artíficio, a exemplo do que acontece com os mais viscerais Blues que a parecem inspirar, que apenas está ao alcance dos mais abastados e obstinados Djs e colecionadores, no seu formato original, mas que, felizmente, foi incluída na espantosa recolha – “Divine Funk” – assinada por Greg Belson e acabada de editar pela Cultures of Soul.

     

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  • Poder Soul

    1 novembro 2021 – 5 novembro 2021

    Quarta-feira

    Ceasar Frazier

    Another life

    Westbound

    Organista de eleição, Ceasar Frazier nasceu no Bronx, mas cresceu na Flórida, onde ficou até se formar em Estudos Musicais, na A+M University.

    Visto como uma criança prodígio, começou a tocar piano aos cinco anos de idade e, aos quinze, já subia ao palco com várias bandas Jazz e R+B locais.

    Depois de se graduar, mudou-se para Indianapolis, onde formou um quarteto que se tornou numa presença assídua nos clubes nocturnos daquela dinâmica cidade do Indiana.

    Numa dessas actuações foi apresentado a Lou Donaldson que, impressionado com o seu talento, o recrutou para aquela que viria a ser a mais Funky formação do saxofonista e que o levou até Detroit onde, para além de ter colaborado com Marvin Gaye, assinou um contrato com a importante Westbound, para quem, entre 1972 e 78, viria a gravar os três Lps que marcaram a primeira fase da sua carreira.

    “Another life” é o tema que dá nome ao último deste discos e um dos grandes temas que gravou naquela década.

    Uma enorme canção Funky Soul, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação acima da média, que está entre a melhor e mais intemporal música negra daquela época e deve constar em qualquer coleção que a pretenda cobrir.

     

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  • Poder Soul

    1 novembro 2021 – 5 novembro 2021

    Quinta-feira

    The Sugarhill Gang

    Passion play

    Sugar Hill

    Nativos de Englewood, em New Jersey, Wonder Mike, Big Bank Hank e Master Gee formaram o Sugarhill Gang, em 1979, por iniciativa de Sylvia Robinson, para assinarem “Rapper’s delight”, o primeiro hit Rap da história.

    Participaram assim no início de uma das maiores revoluções da moderna música urbana.

    Ao lado de Keith LeBlanc, Doug Wimbish e Skip McDonald, baterista, baixista e guitarrista que também viriam a fazer a diferença no dub futurista da On-U Sound, de Adrian Sherwood, o trio gravou quatro importantes Lps, entre 80 e 84, onde constam clássicos como “8th Wonder”, “Apache” ou “Showdown”, ao lado dos Furious Five.

    Parte do alinhamento do seu primeiro longa-duração, “Passion play” é uma das suas incursões pela Soul e, na minha opinião, um dos seus mais inesquéciveis momentos.

    Um tremendo stepper que, nunca tendo sido single, se transformou no maior clássico do grupo junto dos aficionados das cenas Soul e Rare Groove.

     

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  • Poder Soul

    1 novembro 2021 – 5 novembro 2021

    Sexta-feira

    Captain Fantastic + Starr Fleet

    Under cover lover

    Right Note

    Benjamin Jimerson-Philips trabalhava numa agência publicitária de Memphis, durante o dia, e era um músico de trazer por casa, que estudava com o mesmo afinco as composições de Bach ou Chopin e as de Rick James ou dos Funkadelic, durante a noite, quando decidiu avançar com este projecto, em parceria com Charles Allen e Lloyd Smith, o trompetista e o guitarrista dos Bar-Kays.

    O grupo, que também incluía Mark Bynum, Gerald Pride e Nyko Lyras, o engenheiro de som dos Cotton Row Studios, espaço onde terão composto e gravado cerca de 100 temas, acabou por apenas editar um ultra-colecionável sete-polegadas, onde pode exprimir o músculo da sua música, sem as concessões que os Bar-Kays eram forçados a fazer, desde que haviam abandonado a Stax.

    Editado em 1984, “Under cover lover” foi o único disco de Captain Fantastic + Starr Fleet e o primeiro de dois lançados pela Right Note Records, independente criada por Jimerson-Philips e Allen, que faria uma derradeira tentativa, quatro anos mais tarde, já em Hollywood.

    Uma verdadeira bomba Boogie, que arrasa com qualquer pista de dança e que retrata na perfeição a extrema excentricidade e a mestria dos seus mentores.

     

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