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Episódio 8

Casa Roque Gameiro, Amadora
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A casa que o aguarelista Alfredo Roque Gameiro manda fazer para a si e para a sua família em 1898 é testemunho do gosto e do ideário da elite nacionalista do Portugal fim de século. Traçada pelo risco do próprio Roque Gameiro, a casa teve importantes contributos do grande Rafael Bordalo Pinheiro e de Raul Lino, o inventor da "Casa Portuguesa". Mas a Casa Roque Gameiro foi, acima de tudo, o ninho e o atelier da chamada "Tribo dos Pincéis": todos os cinco filhos de Roque Gameiro foram treinados como artistas e quase todos marcaram a paisagem estética da primeira metade do séc. XX português. Se considerarmos que duas das filhas de Alfredo Roque Gameiro se casam também com artistas relevantes - Leitão de Barros e Martins Barata - e que até hoje a Tribo continua a dar ao mundo artistas, estamos face a um caso raro na História da Arte portuguesa. Luís Cabral, curador de uma exposição sobre a Tribo dos Pincéis e bisneto de Alfredo Roque Gameiro, é o nosso guia nesta Visita à vida, obra e prole do maior nome da aguarela em Portugal.
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Episódio 7

Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Lisboa
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Encomendada pelo Cardeal Cerejeira para ser Moderna, esta Igreja distinguiu-se desde o primeiro momento como o caso mais maduro e exemplar do Movimento da Renovação da Arte Religiosa que começou nos anos 50 em Portugal - dez anos antes do Concílio do Vaticano II.
Da autoria de Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira, com um conjunto de outros jovens (à época) arquitetos, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus foi Prémio Valmor 1975, é desde 2006 Monumento Nacional e permanece como referência internacional do que de melhor se produziu no Movimento Moderno.
Projetada durante os anos em que em Roma decorria o concílio lançado pelo Papa João XXIII, o complexo da igreja é concebido como um quarteirão que se deixa atravessar pela cidade - uma aplicação literal da abertura ao mundo que, nos anos 60, a Igreja Católica se propôs fazer.
O arquiteto José Manuel Fernandes e o Cónego António Janela são os nossos guias nesta Visita.
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Episódio 6

Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco
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As tradicionais colchas de Castelo Branco, um ex-libris do artesanato português, são muito mais que belos produtos da habilidade de bordadeiras anónimas do passado. As velhas colchas de Castelo Branco testemunham o processo de globalização iniciado pelos portugueses no séc. XV. Como? Através dos seus motivos e composições que remetem inequivocamente para decorações de têxteis, loiça e mobiliário indianos. Curioso é pensar que na isolada Beira Interior, mulheres, que nunca terão visto o mar, fizeram a partir do séc. XVII bordados que integram motivos que congéneres suas do outro lado do mundo também utilizavam.
Sem qualquer documentação que prove as circunstâncias exatas da sua produção, as colchas de Castelo Branco são um exemplo perfeito dos híbridos tão próprios da cultura portuguesa.
Clara Vaz Pinto, a diretora do Museu Nacional do Traje que dirigiu durante cerca de dez anos o Museu Tavares Proença Júnior em Castelo Branco é a nossa guia nesta Visita a um universo que se mantém misterioso e a exigir investigação científica.
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Episódio 5

Casa do Infante, Porto
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Na zona histórica ribeirinha, o edifício medieval que foi a alfândega do Porto é conhecido como Casa do Infante porque se acredita que o quinto filho de D. João I e D. Filipa de Lencastre, o Infante D. Henrique, ali nasceu. Na verdade, não há provas definitivas de que assim tenha sido, mas os indícios são muitos e ao seguir-lhes a pista embrenhamo-nos no longínquo Portugal de finais de séc. XIV. O próprio edifício, a alfândega do Porto medieval, é protagonista de uma longa e rica história hoje contada no Centro de Interpretação que acolhe. O historiador Manuel Luís Real, que dirigiu esta Casa durante 30 anos e encabeçou a sua requalificação, é o nosso guia nesta Visita que nos faz recuar de 1394, ano do nascimento do Infante D. Henrique, até ao séc. IV, quando os romanos dominavam estes territórios.
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Episódio 4

Casa-Museu Medeiros e Almeida
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O serviço de chá de Napoleão Bonaparte no exílio ou o carrinho de brincar do filho do general Wellington são duas das peças desta coleção de nove mil. Construída ao longo da vida pelo empresário Medeiros e Almeida, a coleção da casa-museu com o seu nome - na grande maioria, artes decorativas europeias até ao séc. XIX - tem núcleos de relojoaria, tapeçaria, mobiliário, pintura, mas também porcelana asiática com alguns exemplares únicos no mundo. Um só critério pareceu guiar Medeiros e Almeida nas suas aquisições: a excecionalidade das peças. A variada tipologia, datação e proveniência destes objetos e as múltiplas histórias a eles associadas fazem desta visita uma emocionante experiência - sempre de surpresa em surpresa. As historiadoras de arte Teresa Vilaça e Maria Mayer são as nossas guias.
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Episódio 9

Bairro da Lapa, Lisboa
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A seguir ao grande terramoto de Lisboa, em 1755, grande parte da população da cidade ficou sem teto e precisava de casa. O Bairro da Lapa, em Lisboa, nasce desta circunstância e da iniciativa urbanística das freiras da Ordem da Trindade, as chamadas "Trinas", que neste local possuíam um pequeno convento com uma generosa propriedade agrícola. À revelia dos planos do Marquês de Pombal, as freiras Trinas lotearam as suas terras e alugaram-nas a gente trabalhadora para nelas construírem as suas casas. Deliberadamente, as Trinas não quiseram fazer negócio com gente rica ou influente e é assim, com uma população que só mais tarde será burguesa, que nasce o seleto Bairro da Lapa. Nas belíssimas cozinhas do antigo Convento das Trinas (hoje Instituto Hidrográfico, Marinha) e pelas ruas do velho Bairro da Lapa, José Sarmento de Matos, olissipógrafo de referência, conta-nos esta e outras surpreendentes histórias sobre a Lisboa nascida das cinzas de 1755.
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Episódio 10

Palácio da Vila de Sintra, Sala dos Brasões
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Mandado erguer pelo Rei D. Dinis há 700 anos, o Palácio da Vila foi sendo atualizado e acrescentado por sucessivos reis. Encomendada por D. Manuel I no séc. XV, a Sala dos Brasões é a peça mais impressionante deste singularíssimo palácio real. Mas aquilo que nesta sala parece ser um excecional programa decorativo é na verdade um milimétrico programa político: a Sala dos Brasões do Palácio da Vila de Sintra é a imagem perfeita da centralização do poder do rei que D. Manuel fixa inequivocamente. Ao contrário do que acontecera com os seus antecessores na Idade Média, D. Manuel I já não era um par entre iguais, mas um rei absoluto, acima de todos os outros homens e de quem imanava toda a luz e todo o poder.
O lugar que cada uma das 72 famílias nobres aqui representadas ocupava na hierarquia da corte está expresso na colocação das respetivas armas ou emblemas no teto da Sala dos Brasões. Especialista em Heráldica, o historiador Miguel Metelo Seixas traduz para nós o que significam muitos dos símbolos inscritos nesta sala, explica a lógica da heráldica e prova que esta é uma forma de comunicação que continua ativa e muito eficaz nos nossos dias.
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