Capicua foi a convidada principal do Sociedade Recreativa desta semana. A rapper portuense tem novas canções para nos mostrar e teve muito para contar a Sílvia Alberto.

O projeto “Mão Verde” começou por ser um concerto, depois um trabalho discográfico e finalmente um livro. Um espetáculo que se esperava infantil mas que ganhou poemas ilustrados e notas informativas sobre a natureza e a ecologia.

Nos últimos anos comecei a interessar-me sobre tudo o que tem a ver com a agricultura urbana mas também com as dinâmicas da sustentabilidade e da forma como nós podemos organizar as nossas cidades de uma forma mais inteligente e mais eficiente no que diz respeito à gestão dos recursos.

Capicua tem uma horta. Queria a rapper ter uma casa no campo, “como Elis Regina”.

Eu continuo a alimentar essa ideia e é um bocado esse espírito quase utópico, de família de casa de modo de vida. Essas utopias existem também por nós todos os dias as perseguirmos e tornamo-nos pessoas mais felizes. E eu continuo a cultivar essa casa no campo e um dia quero mesmo ter uma casa no campo.

Ser romântica, sonhadora, acreditar nas utopias e persegui-las também são características da rapper. É uma otimista e vê sempre o copo meio cheio.

Estudou em Lisboa e tem muitos amigos na capital. Acredita que as relações no Norte são mais próximas por haver outro género de frontalidade.

O país é povoado por gente muito criativa (…) O país é é muito centralizado ainda. Ainda temos de ir a Lisboa para promover o nosso trabalho.

A palavra e a música sempre andaram de mãos dadas no imaginário de Capicua. Habituada a ouvir música de intervenção quando era pequena, transformou o rap na sua forma de expressão.

A palavra não é só um objeto estético, é uma ferramenta para mudar o mundo.

Os caminhos da inspiração e da escrita são muito misteriosos. Há letras que nascem sozinhas e há outras que têm de ser retocadas algumas vezes. A escrita fá-la desenvolver os pensamentos e chegar a vários territórios.

Há muitas motivações e muitos registos. É essa liberdade, essa versatilidade que eu mais gosto no rap. Mais nenhum estilo de música se desdobra tão bem em mil possibilidades de temas. Tens rap a falar de política, de amor, de sapatilhas, de rap…

A 24 de abril há concerto com banda para assistir na sua cidade-natal. O Porto aguarda ansiosamente.