Emitido

2019/07/27

Episódio nº 108

 

Convidados

Mário Santos (telespectador);

João Parra (telespectador);

Cátia Pereira (telespectadora);

Miguel Chagas (telespectador);

 

Texto do Provedor

Já por mais de uma vez tomei posição, criticando a RTP por falta de cobertura de eventos desportivos não futebolísticos. Repetidamente tenho criticado o excesso de “notícias” sobre futebol. Neste caso, porém, não acompanho totalmente as críticas feitas à não cobertura dos Jogos Europeus por parte da RTP.

Vamos a factos: os Jogos Europeus são uma competição de segunda ordem em que não participam países com as melhores marcas em algumas disciplinas ; apesar de a RTP ter manifestado o seu interesse, a Eurovisão não propiciou a cobertura dos Jogos; não podendo adquirir todos os direitos de transmissão de todos os eventos, a RTP decidiu não comprar estes Jogos, tendo eles sido adquiridos pela SportTV; tal facto impossibilitava a entrada da equipa de reportagem de televisão da RTP no recinto dos jogos; finalmente: seguindo os outros governos europeus, o governo português não conferiu a estes Jogos o reconhecimento de evento de interesse generalizado.

Parece-me, assim, muito excessiva a crítica feita à RTP por responsáveis políticos e outros. Considero, no entanto, que, apesar dos factos referidos, caberia à RTP, tendo em conta a dimensão da delegação portuguesa a estes Jogos, tudo fazer para recolher a partir de Minsk a reação e os comentários dos atletas envolvidos.

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Mostrar a realidade não é idêntico a estar de acordo com ela. A maioria das queixas que recebi criticava a reportagem por não referir o que corre bem no Serviço Nacional de Saúde. Mas obviamente: o que corre bem neste não é razão para o crescimento do setor privado da saúde. E era este o centro e a razão de ser do trabalho exibido no Linha da Frente.

A reportagem mostrou muitos dos avanços e das qualidades da oferta dos serviços privados de saúde. Devia, por isso, ter também referido os seus defeitos mais conhecidos: decisões médicas ditadas por pressão de questões financeiras, tratamento de doentes apenas até ao limite reembolsável pelos seguros de saúde ou pelos acordos firmados, ou ainda o reenvio para o SNS de casos mais pesados como alguns da área da oncologia e outros.

Mas criticar o silêncio sobre estas questões não invalida a qualidade e a justeza do trabalho apresentado.

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