Emitido

2017/11/18

Episódio nº 31

 

Convidados

Maria Emília Brederode Santos (presidente Conselho Nacional de Educação);

Manuel Pinto (Universidade do Minho);

 

Texto do Provedor

Com alguma frequência a produção televisiva é vista com desinteresse e até quase com desprezo por parte de não poucos docentes. Por outro lado, e apesar da atenção que a televisão dedica à escola – como fonte de notícias e como lugar e tema dos programas de entretenimento e de ficção – raramente a considera como parceira de projetos, de iniciativas e de missão.

Como dizem os críticos mais ácidos: “A televisão não gosta de se olhar como aparelho educativo, mas condiciona e formata o que o público pensa e sabe. A escola vê-se a si própria como educadora, mas nem sempre consegue desempenhar tal papel.” Nada disto tem a ver com os conteúdos letivos que a telescola ministrava. Tem porém tudo a ver com o mundo que o ecrã televisivo mostra aos públicos de todas as idades e que para muitos é a única visão do planeta a que têm acesso. Planeta por vezes muito diverso daquele que o ensino formal oferecido pela escola propõe a quem a frequenta.

Dedicamos o programa de hoje a procurar saber até que ponto estes mundos apresentados por cada uma destas instituições – a televisão e a escola – estão condenados a colidir, ou podem convergir ou serem mesmo complementares. Num modo e num tempo muito diferente daquele em que a Telescola era uma resposta dada através da televisão à dificuldade da escolarização num país ruralizado e tristemente atrasado em relação aos seus parceiros europeus.

(…)

Muitos são já os contributos que a televisão e, sobretudo a televisão pública, oferece à escola. E a escola tem, como ficou visto, muitos recursos que mobiliza para educar para os media e mais genericamente para exercitar os estudantes enquanto produtores de media. Contudo, as influências mais decisivas de cada uma destas instituições no público da outra faz-se através de processos que não têm a intenção declarada de interferir diretamente nas principais funções da outra. Mas se tal intencionalidade não existe, a influência, essa, existe e é muito poderosa.

E por isso o ensino formal não pode fazer de conta que os seus estudantes não estão expostos à televisão e aos seus diversos conteúdos. Assim como a programação televisiva não deve ignorar o que nas diferentes idades está sendo ensinado e transmitido pela escola. Duas instituições com tão grande inter-relação intrínseca têm razões suficientes para explorar melhor e mais profundamente as suas interdependências de modo a potenciá-las através da concretização de programas, serviços e projetos comuns. Fica o desafio.

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