Emitido

2017/12/09

Episódio nº 34

 

Convidados

António José Teixeira;

Gonçalo Madail;

Sandra Duarte Tavares (professora e consultora linguística)

 

Texto do Provedor

Faz agora um ano que a RTP3 e a RTP Memória passaram a estar disponíveis na TDT. Mais precisamente desde 1 de dezembro de 2016. O acesso livre e universal é uma das marcas de qualquer Serviço Público de Televisão e, por isso mesmo, a situação em que estavam aqueles dois canais era um verdadeiro contrassenso. Desde então apenas os canais regionais da RTP e os destinados aos lusofalantes espalhados pelo mundo continuam fora da distribuição da oferta universal da TDT. E percebe-se porquê.

Em termos de audiência, o facto de terem deixado de estar apenas acessíveis através de serviços de distribuição pagos trouxe àqueles dois canais um grande número de novos espetadores. A RTP3 dobrou a sua audiência média diária, passando de 0,8% em 2016 para 1,8% este ano. Por seu turno, a RTP Memória triplicou a sua audiência no mesmo espaço de tempo, subindo de 0,3% para 1%. Crescimentos notáveis, em tempos de multiplicação da oferta, fragmentação das audiências e redução das partes de mercado conseguidas por cada canal televisivo!

Claro que não será rigoroso atribuir a chegada de mais público apenas à facilidade de acesso através de uma via não paga. Outros aspetos terão, com toda a certeza, de ser tidos em conta, desde as mudanças na programação até à evolução ao longo deste ano de toda a oferta televisiva. Mas a entrada na TDT teve, seguramente, um papel determinante no aumento do número de espetadores.

Sobre estas questões quisemos ouvir os mais diretos responsáveis pela RTP3 e pela RTP Memória.

(…)

Sem querer transformar o programa de hoje numa coleção de efemérides, recordo que no próximo dia 1 de janeiro faz sete anos que a RTP adotou em todos os seus serviços e canais o Acordo Ortográfico de 1990. Alguns telespetadores escrevem-me rebelando-se contra o Acordo e, em menor número, contestando mesmo essa decisão da RTP.

Mas, fora destas polémicas e com muito maior frequência, dão-me conta de erros na ortografia de palavras e expressões escritas nos diferentes tipos de rodapé e legendas que vêm passar no seu televisor. Há ainda outros telespetadores que sugerem ser dever da RTP apresentar mais programas sobre a correta utilização da língua portuguesa, para além dos dois atuais: o “Bom Português” e o “Cuidado com a Língua”.

Creio que a sugestão tem todo o cabimento e que a televisão pública devia ter em grelha, e de forma permanente, um maior número de programas centrados sobre a língua portuguesa. Mas acima de tudo tem obrigação de cuidar que não contribui para o mau uso da língua, divulgando erros e incorreções. E já que hoje recordei a adoção do Acordo Ortográfico pelo Serviço público de televisão, analisemos os desvios à boa ortografia mais recorrentes nos canais televisivos da RTP.

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