30 anos. Três décadas desde que nasceu e Luís ainda parece estar à espera que a sua vida comece. Não foi sempre assim, existiu até um momento em que se sentiu privilegiado por cedo ter encontrado uma vocação: quando trabalhou com o pai na escrita de uma novela histórica e épica sobre a corte portuguesa em 1808. Mas isso foi antes de cortarem relações e do seu noivado com Clara ter terminado com um nível de espetacularidade apenas equivalente ao naufrágio do Titanic. Agora, vive em casa da mãe com a avó e experimenta documentar pedaços de vida com o seu telemóvel, um hábito tão irritante que até a namorada bem mais nova o abandonou porque já não o suportava.

É uma vida em pausa que agilizou o seu tom sarcástico e irónico – características que, na verdade, poderia ter herdado do seu pai. E é quando José o aborda e lhe fala da possibilidade de concorrerem à produção da novela, o seu primeiro instinto é dizer-lhe que ‘nem pensar’. Mas depois de arranjar um emprego a entregar pizzas e, ao perceber que é possível que o seu futuro seja desperdiçado em empregos semelhantes, a ideia começa a soar-lhe melhor. Trabalhar com o pai durante um ano continua a parecer-lhe um inferno, certo, mas poderá depois permitir-lhe olhar para as décadas que sobram com outros olhos.