Conhecida como a bruxa do Alentejo, desde cedo percebeu que tinha uma excelente capacidade para ler as pessoas e para as manipular. Se isso se deve a um poder especial de que é dotada, ou se é só persuasão, ainda está por provar.

A sua infância foi passada no campo, a ajudar na lavoura e tinha poucos amigos. Não por ser uma rapariga tímida mas porque as outras crianças tinham medo dos seus comportamentos e discursos. Fala-se em Montemor que, certo dia, Cândida encontrou um cão morto à beira da estrada, levou-o para casa e, com mezinhas e algumas rezas, conseguiu ressuscitá-lo. Ninguém sabe ao certo se a história é verdadeira mas, de certa maneira, tornou-se numa lenda da cidade. Tendo enviuvado muito cedo, foi ganhando a vida dando conselhos e fazendo “trabalhos” a troco de dinheiro. Foi assim que manteve as suas duas filhas, Manuela e Adelaide.

Com o passar dos anos, Cândida foi passando o testemunho a Manuela a mais esperta das duas filhas, que, com bom olho para o negócio, se tornou rica.