Filha de Adrião, irmã de Maria da Luz.

No início da história, é levada à força pelo pai para o convento de Odivelas quando tem apenas 17 anos. De origens muito humildes, foi criada pelo seu pai, que nunca teve capacidades económicas para dar às filhas uma vida sem dificuldades. Paula, tal como a irmã, é uma rapariga pobre, suja e sem cultura. Adrião já levou a filha mais velha para o convento de Odivelas e agora é chegada a vez de Paula, o que se revela, para ela, um momento extremamente violento. É que, para além de não acreditar em Deus, Paula vê a ida para o convento como uma prisão, a perda total de liberdade, e luta com todas as suas forças para resistir à vontade do pai, de tal forma que Adrião tem de a arrastar, literalmente, para dentro do convento.

A vida de Paula em Odivelas revela-se ainda pior do que ela esperava: lá dentro, e contra os princípios proclamados pela Igreja católica, as freiras não são todas iguais, nem pouco mais ou menos. Aquelas que vêm de famílias ricas e que, por isso, têm posses e um mínimo de educação, são superiores às que nada têm, como Paula e a irmã, Maria da Luz. As ditas “freiras ricas” são superiores por estatuto, estão dispensadas das tarefas físicas e trabalhosas necessárias para a manutenção não só do convento, mas também de quem lá habita, sendo que tratam as “freiras pobres” como criadas, e podem usar os vestidos e os trajes que quiserem, com o luxo, riqueza e ostentação que entenderem, estando dispensadas de usar o hábito de freira. Quando Paula entra no convento de Odivelas, a freira dominante é Madalena Máxima, líder do grupo de freiras ricas e amante de João V.

Assim que entra no convento, Paula torna-se alvo da chacota de Madalena Máxima e das suas amigas, que não perdem a oportunidade de a inferiorizar, gozando com o aspecto sujo e paupérrimo da noviça. Apesar dos alertas de Maria da Luz para aceitar a vida como ela é e a sua condição desfavorável dentro do convento, o espírito rebelde e a natureza lutadora de Paula prevalecem e ela não se cala perante as atitudes arrogantes e provocatórias de Madalena Máxima e restantes freiras ricas. Tal comportamento, que leva Paula a confrontar e a desafiar o estatuto e o poder das freiras ricas, irá, tal como a sua irmã avisou, dificultar-lhe bastante a vida dentro do convento. Paula e Madalena Máxima tornam-se inimigas desde o primeiro contacto e a animosidade entre ambas assumirá proporções ainda maiores quando Paula começar também ela a ganhar estatuto no convento e, principalmente, quando se tornar amante do Rei, relegando Madalena Máxima para segundo plano nesse campo.

Para além dos dissabores imediatos da vida em clausura, o convento também mostrará a Paula, de forma totalmente inesperada, um lado da vida que ela ainda não conhecia e que a mudará para sempre enquanto pessoa e enquanto mulher. Paula rapidamente irá perceber que o convento é um centro de encontros sexuais entre homens e freiras, algo que a deixa muito surpreendida mas não chocada. É em Odivelas que conhece o Conde de Vimioso, que se apaixona por ela e a quem Paula se entrega, tendo-o como o primeiro homem na sua vida.

A descoberta da sexualidade e os ensinamentos do Conde são aceites e encarados por Paula como naturais e um desafio à vida que lhe querem impor à força. Paula vive uma paixão intensa com o Conde de Vimioso, uma relação fundamentalmente assente no plano sexual, mas na qual Paula encontra também um sentido que vai para além das suas próprias sensações quando percebe que o Conde encomenda jóias a Adrião, pagando-lhe muito bem por elas, o que representa uma recompensa pela relação com uma das suas filhas. Paula sabe como o dinheiro é importante para o sustento do pai e não tem coragem de lhe contar os verdadeiros motivos por que o Conde procurou os seus serviços de ourives, deixando a situação arrastar-se.

Esta atitude de Paula não é, no entanto, totalmente inocente e altruísta para com o pai, uma vez que o relacionamento com Vimioso e o dinheiro e bens que ele lhe oferece dão a Paula um estatuto de poder dentro do convento, e ela deixa de ser maltratada. Mas, para a noviça, a relação carnal com o Conde nunca passará para o plano amoroso e será esvaziada de interesse quando Paula e João V se conhecerem.

Quando Paula conhece João V, o Rei de Portugal, admira-o, mas não o ama. Paula é, principalmente, seduzida pela figura e estatuto imponentes dele. João V fica completamente fascinado por ela e não demora a que os dois se tornem amantes. No início, Paula desfruta de uma relação que a arrebata por ser com o homem mais poderoso de Portugal e um dos mais poderosos do mundo, algo que rapidamente alia ao facto de ganhar ainda mais poder dentro do convento. Depois, com o tempo e a convivência frequente com João V, Paula acaba por se apaixonar por ele e, finalmente, por o amar, e irá amá-lo de tal maneira que estará disposta a enfrentar todos aqueles que vêem nela uma inimiga.

 

A confiança de João V na noviça cresce ao longo da relação, e cresce de tal forma que a presença de Paula na vida do Rei chega ao ponto de ela influenciar as suas decisões políticas. Na Corte, Paula começa a ser vista como uma ameaça e será mesmo apelidada por alguns como “o novo ministro” de João V. Muitos serão os seus inimigos, mas entre eles está a maior de todas – Maria Ana de Áustria, mulher de João V e Rainha de Portugal.

Uma das grandes angústias de Paula, já quando sente amor por João V, é pensar se será apenas mais uma na vida dele. Paula percebe que não tem a exclusividade do Rei enquanto homem, mas também sabe que ele nunca manteve uma relação com nenhuma amante durante tanto tempo como com ela. É visível aos olhos de todos que Paula é, para João V, uma mulher especial. Maria Ana cedo perceberá isto e destruir a relação entre a freira e o Rei torna-se o seu principal objectivo. Revelando-se esta uma tarefa quase impossível, tal é a força que une Paula e João V, a Rainha acabará por cortar o mal pela raiz e decide que Paula e o filho bastardo de João V que ela carrega no ventre têm de morrer.