Rei de Portugal. Imperial e absolutista, submerge a Corte portuguesa num luxo sem limites.

Homem de muitas amantes, colocará Paula acima de todas e desafiará tudo e todos em prol dos seus sentimentos por ela. João V é um homem convicto, determinado e muito corajoso. Sabe o que quer e é destemido na perseguição dos seus objectivos. É poderoso e imponente, centra em si todo o poder e pretende que o seu reinado fique bem marcado na memória mundial pela sua grandeza. João V quer unir todos os seus impérios, desde o Brasil à Índia, de modo a ser conhecido como o Rei do maior, mais poderoso e mais rico império do planeta.

A sua vaidade e sede de grandiosidade levam-no a gastar muito dinheiro na construção de monumentos espectaculares e também a rodear-se de luxo. Não obstante toda esta sua força, João V é muito religioso e supersticioso. A única coisa que teme é Deus, e, por isso, deixa que o Clero tenha uma importância significativa no seu reinado. Apesar de ter pulso muito firme e ser invariavelmente sua a última palavra, João V não toma qualquer decisão política sem primeiro ouvir os seus conselheiros ligados à Igreja e o seu confessor, o Bispo Martinho de Barros. A influência que deixa que o Clero tenha na Corte é brutal, por oposição ao que acontece com a Nobreza, que desvaloriza e ignora. A posição de João V em relação à Nobreza e a sua decisão de não atribuir títulos nobiliárquicos são a origem de vários ódios de estimação que o Rei vai acumulando ao longo do seu reinado.

Alguns dos nobres mais ricos da Corte vão cansar-se de esperar pela sua “promoção” nobiliárquica e irão unir-se em alianças conspirativas para destituir João V. Álvaro de Castro Gouveia, Supico de Morais e Gonçalo Montalvão são os mais activos nesta demanda, aliando-se ao Infante Francisco, que odeia o irmão e tudo fará para o destituir e subir ao trono. João V sabe que um Rei tem inimigos, sabe que um Rei todo-poderoso, como ele é, tem inimigos extremamente perigosos, mas está longe de imaginar que a maior ameaça ao seu reinado é o seu próprio irmão, o Infante Francisco. Ao invés, é mais comum João V entrar em confronto e desconfianças relativamente a Maria Ana de Áustria, a Rainha, com quem tem um casamento nada feliz.

Por interferência de terceiros – os conspiradores – João V acredita que Maria Ana está em conluio com o seu irmão, o Imperador Carlos VI, para o destruírem. A relação entre o casal real já não é pacífica, mas ficará ainda mais complicada a partir do momento em que João V faz uma aliança com Espanha, cujo trono é pretendido pelo Imperador. Maria Ana não fica contente com esta decisão do marido, mas o que ela não suporta mesmo é saber que João V tem muitas amantes e que, um dia, um qualquer filho bastardo poderá ocupar o trono.

É este o principal conflito entre João V e a Rainha, o qual assumirá proporções drásticas com a chegada de Paula à vida do Rei. Quando conhece Paula, a noviça quase vinte anos mais nova que ele, João V fica completamente fascinado por ela. Aquilo que, inicialmente, pode ser apenas paixão – uma paixão avassaladora – acaba por se transformar em amor. Para João V, Paula começa por ser apenas mais uma amante, mas rapidamente se transforma na mulher de quem não está disposto a abdicar. Os seus sentimentos pela freira são de tal forma intensos que, com o tempo, o papel de Paula na vida do Rei irá crescer até se tornar maior que o papel dos conselheiros e ministros reais.

João V fala com Paula sobre todos os assuntos, mesmo os de estado, e chegará o dia em que a opinião dela será, para ele, mais valiosa que a de qualquer conselheiro. Será inevitável que a freira se torne extremamente incómoda para muitos e, nessa altura, João V terá de enfrentar o descontentamento da sua Corte. No entanto, o amor que sente por Paula será superior a todas as coisas, até mesmo a Deus, pois João V irá até contra ordens papais para continuar a sua relação com Paula. Com este amor, João V “compra” muitas guerras, mas revelar-se-à um guerreiro incansável que enfrentará tudo e todos para manter Paula na sua vida.