Rafaela Oliveira, 12 anos, Gaia
Talento: Pianista

Rafaela toca piano há 7 anos e sonha ser cientista. Ensaia 3 a 4 horas por dia. Na escola, tem as notas máximas em todas as disciplinas. Já ganhou 27 concursos de piano.

Qual o motivo da sua participação?
Tenho sido desafiada a participar em vários concursos de piano e já venci 28. Nos concursos de piano, quando se obtém o primeiro prémio, no ano seguinte é obrigatório passar para o escalão seguinte de alunos mais velhos. Por exemplo, no concurso Internacional Santa Cecília, no Porto, que venci em 5 anos consecutivos, só no primeiro ano é que concorri com alunos da minha idade, nos anos seguintes concorri sempre com alunos cada vez mais velhos que eu. No ano passado, não pude participar mas se o tivesse feito teria concorrido com alunos de 19 anos. E nos concursos de piano não é feita distinção entre rapazes e raparigas, participam todos juntos. Participar no Got Talent foi um desafio novo que me lançaram para conhecer outras realidades, uma oportunidade fantástica de conhecer os bastidores da caixinha mágica da televisão, uma experiência sem dúvida enriquecedora e que, de certeza, outras pessoas da minha idade gostariam de ter. Ainda há dias no programa da manhã da RTP1, A Praça, estavam alunos da minha idade de uma escola do Porto a assistir no âmbito de uma visita de estudo. Eu tive o privilégio de ser convidada a participar no programa e conhecê-lo por dentro. Nesse dia, um dos alunos dessa escola veio dizer-me que eu tinha muita sorte mas os meus pais ensinam-me que a sorte dá muito trabalho. Normalmente treino piano 3 a 4 horas por dia, às vezes mais. No verão passado participei durante uma semana numa masterclass, com o Professor Luís Pipa e o Professor Paulo Oliveira, começávamos às 8h30 e só terminávamos às 17h30. Nessa masterclass, destinada a alunos pré-universitários e universitários, tive a honra de encerrar o concerto final dos alunos.

Como se descreve?
Penso que sou combativa e gosto de desafios novos. Quando participo em concursos, todos os custos de inscrição, deslocação e alojamento são suportados pelos meus pais e os prémios monetários que vou recebendo são para mim. Em contrapartida, quando quero comprar alguma coisa tenho de me socorrer do meu mealheiro. Foi assim que comprei o meu teclado Roland (sim, é verdade, não tenho um piano, treino num teclado elétrico mas um dia vou comprar um piano acústico e há de ser com o meu dinheiro), uma guitarra elétrica Fender, uma bateria eletrónica Roland, um skate e um hoverboard, bem como a minha coleção de livros, entre outras coisas. Na sequência da participação no GotTalent, fui convidada a participar no programa da RTP1 A Praça. No intervalo, o Jorge Gabriel viu-me a tocar várias peças enquanto fazia o aquecimento. Abri a última parte do programa e, já em direto, o Jorge Gabriel desafiou-me para 2 minutos de “discos pedidos”, tipo Jukebox como ele chamou. Foi muito engraçado e tenho o vídeo no meu Facebook se quiserem espreita.

Quais os seus hobbies?
Música, leitura, natação, ténis de mesa, andar de skate e bicicleta.

Qual é a sua principal qualidade?
Sou uma pessoa calma e combativa.

E o principal defeito?
O meu pai diz que sou uma maria rapaz, gosto de jogar futebol e chego a casa com as canelas todas marcadas.

Que outros talentos tem?
Na escola sou uma aluna com nota máxima a todas as disciplinas.

Durante a sua atuação na audição o que foi mais difícil?
Saí às 5h da manhã de casa, fiz 300Km para chegar ao Coliseu dos Recreios e durante a viagem assisti pela primeira vez ao nascer do sol. Já no Coliseu, foram feitas algumas filmagens e, de repente, por volta das 3h da tarde, já estava no palco, em frente aos jurados, ao público e às câmaras, sem ter tido tempo para fazer um pequeno aquecimento. Um pianista tem de fazer o aquecimento antes de entrar em palco para preparar o cérebro bem como a parte muscular. Foi o dia mais longo da minha vida mas tive o privilégio de ser levada a uma sala para tocar piano e fazer mais algumas filmagens, sala essa onde já venci um concurso, a sala dos espelhos no Palácio Foz que me traz muito boas recordações. Depois da minha audição ainda fiquei a assistir a outras audições mas tive pena de não conseguir ficar até ao fim pois ainda tínhamos 300Km pela frente para regressarmos a casa onde chegámos já de madrugada. Qual o comentário do júri que mais gostou de ouvir Gostei de todos mas em especial gostei de ouvir a Cuca Roseta dizer-me o que a impressionou: “o sentimento que consegues dar sendo tão novinha”. Isso é, de facto, o mais importante. Também gostei de ouvir o Pedro Tochas, quando me deu um SIM e se despediu de mim, dizer-me que vou ser uma grande pianista. O Manuel Moura dos Santos é muito direto e eu aprecio essa qualidade nas pessoas.

Qual dos jurados é mais difícil de impressionar?
O Manuel ficou muito admirado de eu dizer que gostaria de ser cientista. Uma grande preocupação dos pianistas é ter uma lesão que os impeça de tocar, como por exemplo uma tendinite que afeta muitos pianistas. Numa masterclass conheci uma pianista que me dizia que apenas tinha estudado piano e se um dia tivesse a infelicidade de ter uma lesão não saberia fazer mais nada. Por isso é importante ter outras valências para poder abrir outras portas na vida. É assim que os meus pais me ensinam.

Como viu a sua inclusão nos semi-finalistas?
Penso que foi justa apesar de considerar que a minha audição podia ter corrido melhor pois foi um dia muito longo e entrei em palco sem fazer aquecimento, como já disse atrás. Na próxima gala não vou cometer esse erro pois vou levar o meu teclado para poder aquecer antes de entrar em palco. Na semi-final vou levantar muito a fasquia com uma peça de dificuldade muito elevada, com arpejos assimétricos. É uma peça que tem uma energia contagiante. Um hino à paixão artística feminina escrita por um compositor que já tive o prazer de conhecer. Autografou as partituras da peça que vou tocar. Quando soube que ia participar nas semi-finais fui ao Porto comprar uma roupa que vou usar apenas uma vez, na gala do Got Talent. Depois quero guardá-la de recordação dessa participação. Ah! E foi comprada também com o meu dinheiro.

Acha que tem tudo para ser o Grande Talento de Portugal?
Sim.

O que espera ganhar com a sua participação no programa?
Espero que a minha participação possa dar às pessoas uma imagem diferente do piano, menos conservadora, mais inovadora. Tenho feito alguns espetáculos conciliando o piano com vídeo, texto e dança procurando dar uma roupagem diferente do que habitualmente as pessoas veem nos recitais de piano. Estou a procurar o meu próprio estilo, que é muito importante como me dizem os meus professores.