Lolita, a 4 de Março | 2001: Odisseia no Espaço, a 11 de Março | Laranja Mecânica, a 18 de Março | Nascido para matar, a 25 de Março, sempre à segunda-feira por volta das 23 horas, na RTP2

 

Quando passam 20 anos da morte de Stanley Kubrick, a RTP2 presta homenagem a um dos mais importantes cineastas de todos os tempos com a exibição das obras ‘Lolita’, ‘2001: Odisseia no Espaço’, ‘Laranja Mecânica’ e ‘Nascido para matar’.

 

Lolita (1962) – Filme que adapta o polémico romance de Vladimir Nabokov (1899-1977) sobre um amor proibido.

Humbert Humbert (James Mason), um erudito professor universitário britânico de literatura francesa, vai trabalhar para uma pequena cidade nos Estados Unidos onde aluga um quarto à viúva Charlotte Haze (Shelly Winters). Obcecado pela sua filha Lolita (Sue Lyon), de 14 anos de idade, Humbert casa com Charlotte para estar perto da rapariga.

Mas a mulher descobre as intenções secretas do marido. Quando Charlotte morre atropelada, Humbert fica com o caminho livre para perseguir a sua obsessão pela enteada adolescente. Incapaz de controlar a luxúria, Humbert seduz Lolita mas algo acontece que pode prejudicar os seus planos.

 

 

2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) – Obra-prima do cineasta norte-americano, adaptação do romance de ficção científica do escritor Arthur C. Clarke, venceu o Óscar para Melhores Efeitos Visuais.

Uma estrutura imponente faz a ligação entre o passado e o futuro numa incrível fusão de música e movimento. Uma experiência que começa na pré-história da Humanidade e passa para uma nave que ruma ao infinito num drama envolvente da luta do homem contra a máquina.

No passado pré-histórico dos nossos antepassados, um grupo de macacos encontra um misterioso monólito e dele obtém conhecimentos que resultam na evolução do Homem. No espaço colonizado pelos humanos, no ano de 2001, a descoberta de um outro monólito numa Lua junto a Júpiter leva ao lançamento de uma expedição. Uma equipa de astronautas liderada pelo Dr. David Bowman (Keir Dullea) e pelo Dr. Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000, para tentar descobrir mais detalhes sobre o misterioso objeto. Quando o supercomputador tem uma avaria e tenta assumir o controlo da nave, dá-se um confronto decisivo entre homem e máquina.

 

 

Laranja Mecânica (1971): Adaptação do romance homónimo de Anthony Burgess, o mais violento dos filmes de Kubrick.

Uma obra que continua atual, cuja história é passada num futuro próximo, interpretação visual de uma anarquia sádica e do cinismo profundo do poder governamental.

Alex (Malcolm McDowell), é um carismático sociopata cujos interesses se resumem à música clássica (especialmente Beethoven), abuso sexual e o que o próprio chama de ‘ultraviolência’. Ele lidera um pequeno grupo de delinquentes, Pete (Michael Tarn), Georgie (James Marcus), e Dim (Warren Clarke), a quem ele chama os seus ‘drugues’ (da palavra russa друг, “amigo”, “camarada”). Numa noite, Alex é detido pela polícia. Para diminuir a pena de prisão concorda em ser utilizado como cobaia numa experiência do Ministro do Interior – a ‘Ludovico’ – que tem como objetivo recuperar criminosos através de um tratamento médico pouco ortodoxo.

A terapia que não é mais do que uma rápida cura para uma sociedade constantemente ameaçada pelo mal, mas que vai trazer alguns problemas de identidade.

 

 

Full Metal Jacket – Nascido para matar (1987): Baseado em romance ‘The Short Timers’, de Gustav Hasford, é considerado um dos filmes mais marcantes sobre a guerra do Vietname.

Na ilha de Paris, o sargento Hartman (Ronald Lee Ermey) não deixa nada ao acaso quando se trata de transformar jovens recrutas em soldados implacáveis. As semanas de treino militar são violentas e brutais, porém o destino dos jovens é ainda pior: a Guerra do Vietname. Pyle (Vincent D’Onofrio), um jovem incapaz de cumprir as exigências do sargento, é vítima das piores humilhações e agressões até ao dia em que o pior acontece…

Os seus camaradas acabam no Vietname no meio da sangrenta Ofensiva do Tet, em Hué em 1968, onde vão descobrir que a guerra é muito pior que os seus mais inquietantes receios. O soldado James ‘Joker’ Davis (Matthew Modine), em funções no jornal do exército americano – Stars and Stripes, é o nosso guia no Vietname. Durante a famosa Ofensiva do Tet, Joker tem a oportunidade de estar em combate, onde reencontra o antigo companheiro ‘Cowboy’ Evans.

Acompanhando a odisseia de um grupo de jovens soldados americanos, da recruta na ilha de Paris até à sangrenta Ofensiva do Tet, ‘Nascido para Matar’ poderia ser mais uma boa história de camaradagem, heroísmo e sacrifício no Vietname. Porém, é um filme de Kubrick e a vulgaridade nunca fez parte da sua obra. Trata-se, desde logo, de um filme com um portentoso tratamento visual, do trabalho de câmara à montagem, passando pelo tratamento da cor e da luz. Com o realismo brutal de um documentário, o cineasta cria uma autêntica parábola sobre a perversão dos homens em guerra, sobre a fantástica máquina de condicionamento militar e, sobretudo, sobre o processo de desumanização que ela produz.

O filme termina com os fuzileiros a entoar uma animada canção sobre o rato Mickey, mas logo em seguida, durante os créditos finais, é possível ouvir a sombria ‘Paint it Black’, dos Rolling Stones.