Um documentário de Ramusel Graça que alerta para as consequências da exploração sistemática da floresta equatorial são-tomense

 

A floresta de São Tomé e Príncipe foi classificada por cientistas, em 1988, como a segunda mais importante de África para a conservação de aves. O documentário Motxi de Obô – A Morte da Floresta tem como propósito despertar a consciência dos são-tomenses para as consequências que poderão advir da exploração sistemática da floresta. De igual modo que retrata o interesse da floresta equatorial são-tomense para o mundo, uma vez que ela conserva centenas de plantas com poderes terapêuticos.

Produzido dentro do parque natural Obo São Tomé, vários personagens são os condutores desse documentário, nomeadamente, curandeiros (médicos tradicionais) que colectam cascas e folhas para produção de medicamentos, madeireiros que promovem o abate de árvores para construções, ou artesãos para produção canoas para pesca artesanal, e também os produtores rurais que promovem a abertura de campos para agricultura. Além desses, dois atores externos foram tomados como referência, uma farmacêutica e um biólogo que nas suas áreas desenvolvem linhas de estudos sobre a biodiversidade. E existem ainda muitos outros pesquisadores que estudam a fauna e flora das ilhas.

Maria do Céu Madureira, pesquisadora portuguesa, instalou-se nas ilhas com objetivo estudar e encontrar plantas medicinais com poderes terapêuticos que servissem para tratamento da malária, doença que deixou de ser uma das principais causa de morte nas ilhas de São Tomé e Príncipe desde 2005. Ela tem vários outros estudos comprovados e desenvolve igualmente produtos cosméticos com essências extraídas de ervas aromáticas e plantas medicinais. O biólogo português Ricardo Lima desenvolve estudos no arquipélago de são Tomé e Príncipe sobre as espécies de aves que disseminam sementes e que consequentemente servem para a manutenção da floresta.

 

 

O documentário mostra a vida difícil dos carvoeiros e as consequências desta produção para o ambiente e por extensão para os seres humanos. Com o aumento da procura deste produto e seu consumo crescente, as árvores para o efeito estão cada vez mais escassas, o que leva os seus produtores a se embrenharem pelos vales da montanha da zona norte de São Tomé, entre 200 a 400 metros de altitude área pertencente ao parque natural Obo.

O abate de árvore para produção de canoas e construções, são atividades que têm contribuído para a morte lenta da floresta, tendo em conta que construção de habitações de alvenaria não é tradição são-tomense e não está ao alcance de todos. As canoas são feitas com troncos da Ceiba Pentandra, a espécie mais utilizada para o efeito. E nessas ações de destruição da floresta está a base de alteração do clima em São Tomé e Príncipe.

Este documentário reflete ainda a insuficiência de meios adequados e de políticas que proíbem e sancionam os autores da desflorestação.

 

 

Título Original: Motxi de Obô, A Morte da Floresta

Realização: Ramusel Graça

Produção: Gerson Soares / GS produção LDA.

2016 – 52 minutos