Estreia: Sábado, 6 de Janeiro às 22:15, na RTP2.

Moisés e Aarão é única grande ópera de Arnold Schönberg (1874-1951), um dos mais controversos e influentes compositores do século XX.

 

O libreto do próprio compositor é uma adaptação livre de passagens do Antigo Testamento, num trabalho original de intensa fé filosófica e pessoal. A ópera, que ficou por concluir, é composta no sistema dodecafónico inventado por Schönberg e que teve um enorme impacto na música moderna. “Finalmente aprendi a lição que me foi imposta no ano passado, e não vou esquecê-la. Não sou nem alemão nem europeu, e talvez nem sequer humano, mas sou judeu”.

Apesar de se ter convertido ao protestantismo na sua juventude, Schönberg foi alvo de ataques antissemitas a partir de 1921. Abatido por tal desumanidade, o compositor volta às suas origens ao desenvolver uma interpretação muito personalizada do Antigo Testamento. O que começou como uma cantata depressa assumiu as dimensões de uma oratória. O projeto tornou-se uma ópera filosófica que opôs não só dois irmãos um contra o outro, Moisés e Aarão, mas também o radicalismo e compromisso, o discurso confuso e efusão lírica no quadro de uma comunidade instável personificada por um grande coro.

A última frase de Moisés resume a trágica fraqueza do profeta mas também a incapacidade do compositor de superar as suas próprias contradições. Voltando ao judaísmo em Paris, pouco antes de procurar refúgio nos Estados Unidos da América, o criador do dodecafonismo foi atormentado por uma incapacidade quase existencial de completar a ópera.

 

 

Deus ordena a Moisés que guie o seu povo para a Terra Prometida. Moisés não se sente à altura da tarefa mas Deus promete ajudá-lo. O irmão de Moisés, Aarão torna-se o seu porta-voz mas o povo rejeita um Deus que não consegue ver nem perceber. Aarão demonstra o poder de Deus com três milagres: transforma o bastão de Moisés numa serpente; infecta e cura a mão de Moisés com lepra e transforma as águas do rio Nilo em sangue. Finalmente convencidos os judeus partem do Egipto em direção à liberdade.

Moisés retira-se para o Monte Sinai para receber as Leis de Deus e o povo, que não vê o seu líder há 40 dias, sente-se abandonado e pergunta: “Onde está Moisés? Onde está o seu Deus?”. Começam a queixar-se que estão agora pior do que no Egipto. Enraivecidos apelam ao regresso dos antigos deuses. Não conseguindo controlar a ira da multidão, Aarão acede em dar-lhes um ídolo para adorarem – um Bezerro de Ouro. A multidão em êxtase fica cada vez mais violenta. Moisés desce do Monte Sinai e destrói as imagens e as Tábuas da Lei de Deus. Ao longe, o povo continua a sua marcha para a Terra Prometida. Aarão parte para se juntar à multidão.

Moisés, sozinho, lamenta: “Uma palavra, a Tua palavra, que me falta”.

 

 

Personagens e intérpretes:

Moisés: Thomas Johannes Mayer
Aarão: John Graham-Hall (tenor)
Jovem rapariga: Julie Davies (soprano)
Mulher doente: Catherine Wyn-Rogers (contralto)
Jovem rapaz: Nicky Spence (tenor)
Homem nu: Michael Pflumm (tenor)
Homem: Chae Wook Lim (Barítono)
Outro homem: Christopher Purves (Barítono)
Sacerdote: Ralf Lukas (Baixo)

Maîtrise des Hauts-de-Seine

Coros e Orquestra da Ópera de Paris

Maestro: Philippe Jordan

Realização: Romeo Castellucci

Gravado ao vivo na Ópera da Bastilha, em Outubro de 2015