Estreia: Domingo, 29 de Setembro às 24:00, na RTP2

A pianista portuguesa interpreta a obra-prima do compositor Federico Mompou, uma referência do reportório pianístico

 

Música Callada é um longo ciclo para piano constituído por 28 peças, compiladas em quatro cadernos, entre 1959 e 1967. A obra foi inspirada nos versos do Canto espiritual entre el alma y Cristo su Esposo, do frade carmelita e poeta místico espanhol São João da Cruz (1542-1591), desde logo com destaque para a escolha do título: “La música callada,/ La soledad sonora”.

O catalão Federico Mompou estudou e viveu alternadamente entre Barcelona e Paris, tendo regressado definitivamente à sua cidade natal em 1941. A sua escrita parcimoniosa demarca-se do atonalismo e do serialismo, em crescendo na época, tendo sido influenciada pelo nacionalismo espanhol, bem como por compositores como Claude Debussy, Maurice Ravel ou Erik Satie. Mompou representa notoriamente um posterior desenvolvimento em relação à música de Satie, compondo obras delicadas e aforísticas, onde a contenção é um aspeto fundamental.

 

 

Grande parte das peças de Música Callada ocupa apenas duas ou três páginas de música depurada, onde o jogo dinâmico é delicado e suave. Embora extremamente económica nos seus meios, a obra não é no entanto fácil de interpretar. Pelo contrário, representa um teste à concentração do pianista e à sua contenção dinâmica durante largos períodos. Acerca desta obra, o próprio Mompou referiu: «a sua missão é a de alcançar os profundos recantos das nossas almas e os domínios escondidos da força vital dos nossos espíritos. Esta música é silenciosa (Callada) se for ouvida interiormente?» Resumo do pensamento musical de Mompou, Música Calada exalta as possibilidades expressivas do piano e traduz os sentimentos mais profundos do autor.

Joana Gama é uma pianista que se desdobra em múltiplos projetos quer a solo, quer em colaborações nas áreas do cinema, da dança, do teatro, da fotografia e da música. Em 2010, na classe de António Rosado, concluiu o Mestrado em Interpretação na Universidade de Évora, instituição onde defendeu, em 2017, a tese de doutoramento “Estudos Interpretativos sobre música portuguesa contemporânea para piano: o caso particular da música evocativa de elementos culturais portugueses”. Como pianista e performer, tem estado envolvida em projetos que associam a música às áreas da dança, da fotografia e do vídeo e do cinema.

 

 

Em 2016, com o apoio da Antena 2, dedicou-se a SATIE.150 – Uma celebração em forma de guarda-chuva, que assinalou, em Portugal, os 150 anos do nascimento do compositor francês Erik Satie. Em 2017, Joana Gama estreou três projetos que apresentou em itinerância: Nocturno, peça sobre a noite no universo infantil; at the still point of the turning world, em colaboração com Luís Fernandes; e um novo capítulo do seu trabalho à volta de Satie: o recital LOVE SATIE e Eu gosto muito do Senhor Satie, recital comentado para crianças. Em 2018 tocou Vexations, de Erik Satie, durante 14 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Ficha Técnica

Título Original

Joana Gama - Música Callada

Ano

2019

Duração

69'