Estreia: Quinta, 4 de Janeiro às 23:15, na RTP2.

Durante séculos, o açúcar foi considerado uma especiaria com qualidades curativas e era usado como medicamento nas boticas medievais.

 

A propagação da cultura sacarina no Mediterrâneo foi o primeiro passo para a vulgarização do consumo do açúcar entre os europeus. Na época das Descobertas, a coroa portuguesa e particulares a ela associados, tornam-se cruciais no negócio do açúcar que dominou o Atlântico na Idade Moderna, sendo que Lisboa é nesse tempo uma cidade transfigurada pelas novas oportunidades de comércio.

O desejo de doce é de tal maneira real entre as classes abastadas que o açúcar irá gradualmente entrar nos hábitos alimentares até que séculos mais tarde, já não sendo uma especiaria ou medicamento é encarado como um problema ou um veneno. Esse alimento que resulta da simples cristalização do suco da cana-do-açúcar é do ponto de vista cultural um tema polémico e complexo, quinhentos anos depois da sua introdução na Madeira e na América tropical.

No século XIX, o açúcar, ou o doce, está confinado ao momento da sobremesa, onde ao lado dos cristais e das porcelanas desempenha uma função prestigiante.

 

 

DOP é um projeto documental, da autoria de Anabela Saint-Maurice, que alerta para a importância da Denominação de Origem Protegida nos produtos tradicionais portugueses. Em Portugal há dezenas de produtos agroalimentares certificados, tornando-se difícil escolher uns em detrimento de outros. Tema vasto, o “DOP” é neste projeto da RTP o ponto de partida para se falar da tradição e da cultura portuguesas, mas também do consumo (a moda) e da produção (economia).

No documentário DOP Açúcar participam, entre outros, os historiadores Massimo Montanari, da Universidade de Bolonha e Daniel Strum, da Universidade de São Paulo. A autoria e realização são da jornalista Anabela Saint-Maurice.