Pedro, um jovem psicólogo estagiário, é colocado no maior estabelecimento prisional feminino do país. De aspecto frágil e ingénuo, a sua postura desde cedo contrasta com o ambiente hostil e agressivo que o rodeia.

Neste estabelecimento estão reclusas mulheres provenientes dos mais diversos estratos sociais, presas pelos mais diversos crimes: advogadas burlonas, prostitutas, homicidas, traficantes de droga, todas elas mães, mulheres e pessoas que coabitam no mesmo espaço físico, sem distintivos ou títulos que as distingam à partida, excepto o que dizem ou fazem em cada momento. A entrada de Pedro no estabelecimento prisional provoca um alvoroço na cadeia. A sua passagem pelos corredores marca este impacto. A sua imagem provoca risos, piropos ousados, sempre remetendo para um certo gozo decorrente do aspeto jovem de Pedro.

Mas, se no início Pedro parece um rapaz inofensivo, muito rapidamente se nota que afinal a sua ingenuidade não é desprovida de convicções e princípios fortes. Pedro inicia o seu trabalho propriamente dito, atendendo os seus primeiros casos em contexto de consulta psicológica. Aqui Pedro conhece Marta, uma bonita e inteligente jovem de 26 anos. No primeiro episódio, Pedro impede esta mulher de se enforcar, inaugurando uma especial cumplicidade entre ele e Marta. No entanto, este interesse é percebido por Anabela, a psicóloga do estabelecimento, que, por ciúme e pelo protagonismo de Pedro, boicota de forma camuflada muitos dos seus projectos e prejudica Marta sempre que lhe é possível.

 

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A consulta psicológica e posteriormente os diferentes projetos implementados por Pedro são o pano de fundo da sua acção. Em geral, Pedro revela-se um sonhador, tentando constantemente implementar projetos novos e tendo uma nova postura perante as reclusas, de confrontação, reflexão e respeito, sem ideias preconcebidas, ouve qualquer pessoa, sem exceção. Esta característica irá chocar com a rigidez e convencionalismo da direcção deste estabelecimento, principalmente da diretora, uma mulher fria, convicta das regras e normas.

Uma exceção à desconfiança generalizada em relação ao trabalho desenvolvido por Pedro, é Isabel Neves, a professora da escola do estabelecimento, a sua grande confidente e subtil aliada. Pedro começa a sobressair pelos projetos que vai conseguindo implementar. Desde semanas culturais e desportivas até ciclos de conferências, tudo isto conduzirá a um crescente respeito das reclusas para com Pedro e a uma nova motivação, que mobilizará e alterará a rotina daquela instituição. Mesmo as reclusas mais resistentes e desmotivadas, começam a envolver-se progressivamente nos projectos que Pedro cria.

 

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As reclusas parecem ter mudado após a entrada de Pedro, mudança essa que não é de forma alguma desejada dentro de uma instituição desta natureza. Para a direção, a mudança é perigosa, abala a ordem e a rotina, sendo estes os principais instrumentos de controlo. Assim, Pedro será vítima de uma perseguição constante por parte da directora e da psicóloga que o acompanha, vendo os seus projetos serem recusados e a sua ação limitada.

No entanto, este jovem persiste sempre, permitindo uma reflexão em torno dos diferentes problemas que continuam a acontecer neste estabelecimento. A maternidade, o romance e a sexualidade entre reclusas, as tentativas de suicídio, o medo da saída, os conflitos com guardas, a corrupção, os crimes pelos quais estão presas, todos estes problemas são alvo de uma ação nova por parte de Pedro que, apesar de toda a sua fragilidade, se consegue impor e inaugurar uma nova forma de olhar estas mulheres.