Fátima Lopes é uma estilista portuguesa. Funchal foi a cidade que a viu crescer, mas que foi pequena demais para quem queria conquistar o mundo da moda. E conquistou. Mas Fátima não esquece as suas raízes.

Viveu os primeiros 23 anos da sua vida na Madeira, a ilha que sabe a família e amigos, segundo as suas palavras. Quando chega à Madeira deixa de ser a Fátima Lopes e passa a ser a “Fátinha”, explica. Sublinha uma infância e adolescência felizes na Madeira e destaca que mais do que os sítios, a Madeira são as pessoas. Toda a gente se conhece. Filha do Funchal, Fátima cresceu em harmonia de grupo e recorda com saudosismo os tempos passados no clube naval, onde cresceu com os amigos. Não havia telemóveis, mas também não precisavam. Encontravam-se todos em frente ao Golden Gate, no centro do Funchal.

 

Fátima observa que esta é uma ilha especial pela combinação de cidade e serra (que podemos avistar no passeio de teleférico). Esclarece que já viajou muito e visitou muitos locais no mundo, mas nunca encontrou esta fusão entre cidade moderna, cosmopolita, com o lado selvagem da serra, como a que encontra na Madeira. Para Fátima, os sabores da Madeira são o bolo do caco, lapas grelhadas, brisa maracujá, queijadas, bolo de mel e milho frito. É uma apaixonada pelas flores e frutos tropicais da ilha e destaca o mercado de lavradores como o local onde os cheiros e as cores mais inspiram. O mercado foi inclusivamente palco de um desfile de solidariedade da estilista que, pouco depois da catástrofe que assolou a ilha em 2010, quis mostrar ao país que a Madeira estava pronta para se reerguer e o desfile tinha assim o objetivo de angariar fundos para ajudar as populações mais necessitadas na sequência do temporal.

Sobre a sua relação com a culinária, Fátima explica que não costuma cozinhar no dia-a-dia, mas gosta de o fazer. Começou a cozinhar precisamente quando veio para o continente e na altura fê-lo por obrigação. Hoje cozinha com gosto. Elege o filete de peixe espada preto com banana frita como o prato tradicional madeirense que melhor sabe fazer e salvaguarda que gosta mais de comer os pratos típicos quando vai à terra natal (em detrimento de os cozinhar no dia-a-dia em Lisboa), porque lá sabe melhor…

Fátima observa que a ilha é pequena para haver muita disparidade nos pratos típicos de Ribeira Brava e Santana, pelo que acredita que os sabores típicos da ilha, e dos quais tem saudades, vão estar presentes em ambas as localidades em confronto: as lapas grelhadas, o bom peixe e marisco (destaca o bodião como o peixe mais característico da região), as frutas tropicais, o milho frito, a batata-doce, as sobremesas com requeijão e maracujá… estes são os ingredientes típicos da Madeira. Fátima espera um duelo saudável e salienta que o cook off vem mostrar que Portugal está na moda e que a Madeira tem muito para dar.