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Estudantes portugueses protestam depois de colegas lésbicas terem sido repreendidas na escola

Aconteceu na escola de Vagos em Aveiro. As imagens e fotografias foram partilhadas nas redes sociais.

A notícia correu os corredores da Escola Secundária de Vagos: duas colegas haviam sido repreendidas por uma auxiliar de educação por estarem a namorar. O casal de namoradas estaria, nas palavras da funcionária, a “incomodar” o resto das pessoas com as demonstrações de carinho, não estando, no entanto a dar nas vistas ou a ter um comportamento fora do normal.

Imediatamente, a escola uniu-se contra aquilo que considerou uma justiça. Dezenas de alunos elaboraram cartazes coloridos e espalharam-nos pela escola com dizeres como “Não à Homofobia” e “Gay is OK”. No Twitter, muitos partilharam vídeos e fotografias do momento em que se juntaram para protestar alto e bom som.

Hugo Martinho, diretor da escola, disse ao JN que tudo não passou de um mal-entendido: “Não houve qualquer repreensão ou crítica à orientação sexual das alunas. Na passada segunda-feira, um elemento da direção falou com uma das alunas, num local reservado, pedindo alguma contenção, no sentido de as proteger”.

Os alunos consideram que esse pedido de contenção não serve os propósitos das alunas mas sim da própria escola. Na quarta-feira, juntaram-se e gritaram “não ao preconceito” e “não à homofobia”.

O protesto “não é representativo do universo de alunos da escola” e terá resultado de “algum ruído na comunicação”, disse ainda o representante da Escola Secundária de Vagos.

O Bloco de Esquerda já pediu esclarecimentos ao Ministério da Educação, questionando as medidas que serão tomadas para impedir “qualquer ato discriminatório por parte desta escola em relação às duas alunas e a toda a comunidade escolar devido à sua orientação sexual”.

No mesmo texto, os deputados Joana Mortágua e Moisés Ferreira afirmam que as duas alunas foram mesmo “chamadas à direção da escola, onde terão sido informadas que não se podem beijar em público porque isso ‘incomoda pessoas'”.

Os deputados questionaram igualmente sobre como agirá o Ministério para garantir que os alunos que “exerceram o seu direito de manifestação não são prejudicados” com processos disciplinares.

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