• Poder Soul

    7 janeiro 2019 – 11 janeiro 2019

    Segunda-feira

    Sister Rosetta Tharpe

    Jericho

    Mercury

    A importância de Sister Rosetta Tharpe na história da música da segunda metade do século passado é tal que é apelidada “The Godmother of Rock’n’Roll” e “The Original Soul Sister”.

    Nascida no Arkansas, em 1915, no seio de uma família ligada à música e à igreja, começou a cantar Gospel e a tocar guitarra muito cedo e, aos seis anos, já acompanhava a sua mãe nas actuações que a sua formação evangélica dava por todo o sul dos Estados Unidos.

    Em 38, depois de se fixar em Nova Iorque como consequência de um casamento que, embora tenha durado pouco, lhe deu o apelido, estreou-se em disco através da Decca, com “Rock me”, uma canção que trazia o ritmo ao Gospel e quebrava as barreiras entre música sacra e secular, abrindo caminho a um percurso que seria decisivo para a evolução dos Rhythm & Blues e do Rock’n’Roll, influenciando nomes chave como Chuck Berry, Little Richard, Johnny Cash, Elvis Presley ou Jerry Lee Lewis, entre muitos outros, e que, até 71, o ano da sua morte, nos daria um sem numero de gravações históricas.

    Gravado em 56 para a Mercury, como parte do Lp “Gospel Train”, mas editado, mais tarde, em sete-polegadas, “Jericho” é, provavelmente, o seu maior hino de pista de dança.

    Este genial take daquela que é uma das maiores canções tradicionais da história Afro-Americana, além de evidenciar o monstruoso talento vocal de Sister Rosetta Tharpe e a sua inovadora e inspiradora abordagem à guitarra eléctrica e de lançar as raízes daquilo que viria a ser a Soul, transformou-se num dos maiores clássicos dos diversos sectores da cultura retro.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    7 janeiro 2019 – 11 janeiro 2019

    Terça-feira

    Jack Moss + The Soul Injections

    Can you feel it!

    Raydar

    Não existe qualquer informação disponível acerca de Jack Moss e dos seus Soul Injections.

    Sendo o seu único disco um dos três lançamentos da misteriosa e pequena independente Raydar Records, é possível depreender que sejam nativos da pequena cidade do estado de Nova Iorque – Waverly – onde a marca terá estado activa, entre 1969 e 76.

    E ficamos por aí…

    Seja como for, este sete-polegadas, aparentemente gravado em 76, é um raríssimo double-sider, que tem a obra-prima Deep Soul – “Do you believe it? – no lado oposto, descoberto pelo notável colecionador Nova Ioquino Robert Perlman, a quem os Beastie Boys se referiram em “Flute loop”, uma das canções de “Ill communication”, da seguinte forma: “Perlman’s got the beats and it ain’t no secret”.

    “Can you feel it!” é uma incisiva bomba Deep Funk, alicerçada num break musculado e comandada por uma guitarra encharcada de Fuzz e psicadelismo, que, sendo extremamente rara no seu formato original, tornou-se acessível, este ano, à generalidade dos adeptos da mais obscura música negra, através da recolha que Perlman fez para a Rocafort, como forma de celebrar o seu excelente blog Funk for the People.

    No âmbito do lançamento desta compilação, a consistente editora suíça associou-se à inevitável Tramp, para lançar um sete-polegadas que reproduz, na íntegra, o inalcançável single original.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    7 janeiro 2019 – 11 janeiro 2019

    Quarta-feira

    The Webs

    It’s so hard to break a habit

    Popside

    No fim da década de 50, Willie Cooper, Marshall Boxley, Lionel James e Vincent Hubbard formaram os Spiders, em Gavelston, a cidade-ilha texana, quando ainda andavam no liceu.

    Depois de perceberem que, em New Orleans, existia um grupo com o mesmo nome, liderado pelos irmãos Leonard e Chuck Carbo, o quarteto vocal decidiu mudar o nome para The Webs para, entre 64 e 67, gravarem meia-dúzia de sólidos singles, primeiro para a mítica editora de San Antonio, fundada por Abe Apstein – Dynamic Records – e depois para a independente de Houston, Whiz, antes de passarem pela Atlantic, de lançarem dois discos através da nova-iorquina Pop-Side e de terminarem o seu percurso discográfico na Verve.

    Produzido pelos prestigiados Lou Courtney e Robert Bateman, “It’s so hard to break a habit” é o seu mais genial momento e o lado B do seu mais colecionável sete-polegadas, um double-sider com o enorme “Give in” no lado A.

    Esta imensa e rara obra-prima é uma das mais espantosas e profundas Beat Ballads da história da Soul e, além de se ter transformado num dos grandes hinos da cena especializada, desde que foi desvendada por Dave Godin, foi samplada por alguns nomes seguros do Hip Hop, como Cypress Hill, Blak Twang ou Cannibal Ox na companhia dos Artifacts e de U-God.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    7 janeiro 2019 – 11 janeiro 2019

    Quinta-feira

    Jade

    Music slave

    Pesante

    Os misteriosos Jade foram uma banda de Norfolk, na Virgínia, formada pelos irmãos Vernon e Lucius Goodson, Larry Kindred, Lorenzo Jones, Gregory Rich e Harrison Robinson II, que esteve activa a meio da década de 70.

    Entre 1974 e 75, gravaram um Lp e dois singles para editora de culto local – Pesante Records – que também serviu de abrigo a outros importantes nomes da história da mais obscura música negra, como Carmen Lindsay, por exemplo.

    “Music slave”, que durante muito tempo se pensou estar apenas disponível em – “In pursuit” – o Lp que os Jade registaram, entre Nova Iorque e Los Angeles, até se descobrir que também havia saído em sete-polegadas, como lado B de “Lately I”, é a sua grande marca.

    Esta enorme e sofisticada canção, dominada por um inconfundível Clavinet, que cruza Soul e Funk com progressões harmónicas tipícas do Jazz, é um clássico nos clubes especializados desde o advento da cena Rare Groove, sendo um dos samples que servem de base a “Give up to get” de Mr. Scruff.

    Extremamente rara nos seus formatos originais, foi incluída em compilações de referência como o primeiro volume da série da B.B.E. – Soul Spectrum – ou a “banda sonora” do apetecível livro “Enjoy The Experience – Homemade Records 1958-1992”, editada com a colaboração da Now Again.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    7 janeiro 2019 – 11 janeiro 2019

    Sexta-feira

    The Greater Experience

    Don’t forget to remember

    Colony “13”

    Em 1967, Jerry Mitchell, Roger Scruggs, Chip Wood, Johnny Dodson, Ed Burnette, Robert Tunkel, Chuck Wall e Russ Hovda formaram os Greater Experience, uma banda de brancos, de Lynchburg na Virgínia, que se inspirava em gigantes da Soul como James Brown, Wilson Pickett ou Otis Redding e em grupos de fusão como os Blood, Sweat + Tears ou os Cold Blood.

    Até 75, o ano em se separam, os Greater Experience construíram uma sólida reputação local, tocando uma estimulante mistura de versões e de originais, em Festas de Fraternidade em Universidades e nos mais variado tipo de eventos sociais e tendo até estreado o seu único disco num programa televisivo.

    Ainda assim e apesar de ter tido algum airplay na região – “Don’t Forget to remember” – gravado em 70, em Greensboro na Carolina do Norte, e editado pela independente de Danville, Virgínia, com ligações ao importante Frank Koger – Colony “13” – manteve-se na obscuridade durante quase uma década.

    Esta verdadeira obra-prima Crossover, apoiada num tremendo órgão e nuns incisivos sopros, acabou por ser descoberta, acidentalmente, por Arthur Fenn que a introduziu na cena especializada no Cleethorpes Winter Gardens, em 78, como um cover-up, que gerou a loucura dos seus pares, transformando-se num autêntico Graal da cena Northern Soul, alvo de uma caça desenfreada, até aos nossos dias.

     

    ▶️ OUVIR