• Poder Soul

    21 outubro 2019 – 25 outubro 2019

    Segunda-feira

    Bunker Hill

    You can’t make me doubt my baby

    Mala

    Nascido David Walker, em 1945, em Washignton D.C., Bunker Hill começou a cantar em coros Gospel, como The Sensational Wonders ou The Mighty Clouds of Joy.

    O seu fascínio pela música secular, alimentado pelo estilo de vida que a sua curta carreira como boxeur professional lhe porporcionava, fez com que, no início da década de 60, se convertesse aos Rhythm & Blues.

    Apadrinhado por Vernon Wray, David Walker gravou três decisivos singles, entre 62 e 63, acompanhado pelo mítico guitarrista Link Wray e pelos seus Ray Men, que viriam a ser editados pela Mala, sob o pseudónimo Bunker Hill, nome duma batalha crucial da Guerra da Independência Americana, para evitar ser criticado por ter aderido à música do Diabo.

    Editado em 63, “You can’t make me doubt my baby” não foi tão bem sucedido como “Hide and go seek”, o seu maior clássico, mas é, na minha opinião, o seu mais genial momento.

    Uma imensa, crúa e profunda canção que nunca falha quando lançada numa pista de dança, se transformou num cobiçado troféu no seio das cenas Mod e Rhythm & Blues e foi alvo de um par de bootlegs até ser reeditada, oficialmente, em 2010, pela Jukebox Jam.

     

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    21 outubro 2019 – 25 outubro 2019

    Terça-feira

    Kris Peterson

    Mama’s little baby (is a big girl now)

    Pelikin

    Kris Peterson é uma misteriosa cantora branca que deixou a sua marca na cena Soul de Detroit, na década de 60.

    Depois de se estrear, em 1965, com uma versão de “Got my mojo working”, editada pela subsidiária da Mercury – Blue Rock – Kris Peterson iniciou uma relação com Artie Fields, dono de um requisitado estúdio, que viria a ser usado por nomes como MC 5, Dramatics, Funkadelic ou Ohio Players, e fundador das independentes Top Dog e Pelikin que, entre 66 e 68, rendeu quatro sete-polegadas, alguns dos quais foram hits locais, levando-a a actuar em vários programas televisivos.

    Ainda em Detroit, compôs canções para Danny Moore e as Debonaires, antes de se mudar para o mítico Chelsea Hotel, em Nova Iorque, no princípio dos anos 70, para gravar um Lp e três singles, para o selo de Richie Havens – Stormy Forest – e fazer uma incursão a Los Angeles, onde emprestou a sua voz a Frank Zappa.

    Questões familiares fizeram-na regressar a Detroit e dar por finda a sua carreira artistíca.

    Gravado em 67, na companhia da Soul Rhythm Band, para a Pelikin, “Mama’s little baby (is a big girl now)” não é o seu disco mais raro mas, para mim, é a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Uma incisiva canção Funky Soul, temperada pelos Rhythm & Blues, que é obrigatória em qualquer coleção que se preze, até porque pode ser assegurada por uma verdadeira bagatela.

     

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    21 outubro 2019 – 25 outubro 2019

    Quarta-feira

    The Ringleaders

    Baby, what has happened to our love

    M-Pac!

    Os Ringleaders foram quarteto vocal, oriundo de Saginaw, no Michigan, que apenas gravou um disco, em Chicago, e sobre o qual se sabe muito pouco.

    Em 1966, foram contratados pelos irmãos Ernest e George Leaner, fundadores de um dos mais importantes grupos de editoras independentes da Windy City, que incluía selos como  One-derful, Mar-V-Lus, Kellmac, Halo e M-Pac! para gravarem aquele que durante anos se pensou ser o seu único disco e um dos grandes hinos da história do movimento Northern Soul.

    Na década de 80, a cena especializada britânica desvendou dois acetatos, um dos quais foi propositadamente atribuído a uns tais de Four Temples, provavelmente com o intuíto de se manter o mais exclusivo possível, que nos revelaram que o grupo tinha gravado mais canções, no ano seguinte, cujo lançamento ficou congelado até à última década.

    Editado através da M-Pac! – “Baby, what has happened to our love” – é o disco que lançaram enquanto estiveram em actividade e, para mim, o mais perfeito.

    Uma verdadeira delícia Crossover, com uns arranjos espantosos e umas harmonias vocais de arrepiar, que se mantém tão certeira como quando foi descoberta e que, felizmente, foi alvo de um par de reedições, nos últimos anos.

     

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    21 outubro 2019 – 25 outubro 2019

    Quinta-feira

    The Embers

    Far away places

    MGM

    Formados em 1958, na Carolina do Norte, os Embers são considerados os pais da chamada Beach Music.

    O percurso discográfico deste grupo de músicos brancos que, com alguns ajustes na sua formação, ainda se mantém em actividade, iniciou-se em 64 e, nas décadas que se seguiram, reflectiu-se na gravação de cerca de dezena e meia de Lps  e um sem número de singles, para marcas como JCP, EEE, Atlantic ou MGM, entre os quais se podem encontrar um par de clássicos incontornáveis da cena Soul.

    Editado em 1970, pela MGM – “Far away places” – não tem o estatuto de culto de “Watch out girl”, o seu lado A, nem de “Where did I go wrong” mas, na minha opinião, não deve nada a esses enormes temas.

    Uma espantosa versão do standard escrito por Joan Whitney e Alex Kramer e estreado por Bing Crosby, em 1948, claramente baseada em “Tighten up”, que leva qualquer clube ao delírio e parece ter inspirado o raríssimo e incomportável take assinado pelos August Tide, três anos mais tarde.

     

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    21 outubro 2019 – 25 outubro 2019

    Sexta-feira

    Big Dave + The Hot City Band

    She gives me what I want when I need it

    Glitter Funk

    É praticamente nula a informação biográfica acerca deste Big Dave e da sua Hot City Band.

    Através do rótulo do seu único sete-polegadas conseguimos perceber que seriam oriundos de Pittsburgh, na Pensilvânia, e pouco mais.

    Após uma decidida, mas algo infrutífera, pesquisa, descobrimos que o grupo foi formado e liderado por David Lee Williams e que reunia músicos como o baterista Timmy Willis e o guitarrista Larry Estes e que terá gravado este disco em 1980, possivelmente em Detroit, ou não fosse Greg Reilly, o engenheiro creditado,  fundador dos estúdios Super Disc Inc. e colaborador dos Parliament – Funkadelic, que parecem ter inspirado estes temas.

    “She gives me what I want when I need it”, que também foi o único lançamento da misteriosa Glitter Funk, é um autêntico clássico Modern Soul.

    Uma contagiante canção que se tem vindo a impôr nos mais progressivos clubes, que tem visto a sua cotação aumentar de forma sustentada, mas que ainda pode ser assegurada sem ter que se cometer uma loucura.

     

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