• Poder Soul

    15 abril 2019 – 19 abril 2019

    Segunda-feira

    Kenny Smith

    Lord what’s happening to your people

    Goldspot / General American

    Cantor e compositor, Kenny Smith nasceu em 1938, em Maysville no Kentucky, mas mudou-se para Cincinnati, ainda bebé, após a morte prematura da sua mãe, tornando-se numa figura de relevo na cena músical local que, além de ter feito carreira em nome próprio, escreveu canções para nomes como The Charmaines, The Casinos, Checkmates, The Platters ou Eddie Whitehead.

    Ainda no Liceu, formou a sua primeira banda – The Enchanters – um grupo vocal que ganhou um concurso de talento de uma televisão local e que se diz ter gravado um disco para a Deluxe, atríbuido aos famosos The Charms.

    Depois de ter sido descoberto por Carl Edmonson, executivo da Fraternity Records, quando actuava no prestigiado Castle Farms, iniciou uma carreira discográfica que, entre 63 e 76, rendeu cerca de uma dúzia de sete-polegadas, para marcas como a Flo-Roe, a Clear Hill ou as suas Goldspot, Lena e Kogan, entre os quais figuram alguns colecionáveis clássicos da cena especializada.

    Gravado em 71 para a sua pópria editora – Goldspot – e editado, um ano mais tarde, pela General American, “Lord what’s happening to your people” será o mais mítico desses discos.

    Esta grande canção, que arranca com uma belíssima intro atmosférica e em spoken word, é um autêntico monstro Funky Soul que, alguns anos depois de ter saído, foi adoptado pelo movimento Northern Soul, levando à loucura a pista de dança do histórico Blackpool Mecca.

     

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    15 abril 2019 – 19 abril 2019

    Terça-feira

    Spider Harrison

    Beautiful day

    Lulu

    Nativo de Nova Iorque, Spider Harrison é um histórico Dj de rádio, que teve um papel decisivo no desenvolvimento da rica cena Soul e Funk de Indianapolis, para onde se mudou na viragem dos 60 para os 70.

    Aí, além de ter desvendado bandas míticas como os Highlighters, de ter escrito textos de apoio a discos de nomes como Billy Wooten ou Little Royal e de ter “orientado” a carreira dos Rhythm Machine, de James Boone, viría a gravar o seu único disco, antes de se mudar para o Tennessee, primeiro, e, mais tarde, para a Califórnia, onde trabalharia com a Sugar Hill e se firmaria com uma referência da rádio norte-americana.

    Gravado por volta de 1970, “Beautiful day” foi editado na Lulu, independente fundada por Jerry Herman, manager dos Highlighters, numa sessão liderada pelo seu baixista – James Boone – então em vias de fundar os Rhythm Machine e transformou-se num disputadíssimo objecto de coleção.

    Um monstro Funk midtempo, sustentado por um marcante backbeat, que foi recuperado pela Tramp, em 2006, e pela Athens of the North, este ano.

     

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    15 abril 2019 – 19 abril 2019

    Quarta-feira

    Cynthia Sheeler

    I’ll cry over you

    JB’s

    Cynthia Sheeler é uma das mais talentosas e subvalorizadas cantoras que emergiram em New Orleans na década de 70.

    A exemplo do que aconteceu com muitos outros artistas locais, nessa época, iniciou a sua carreira apadrinhada por Senator Jones, o tentacular produtor e empresário de Crescent City e pelo seu talentoso parceiro músical – Raymond Jones – tendo, entre o principio e o fim dos anos 70, editado sete singles para independentes como a JB’s, a Super Dome, a Skyra e a LaVerne.

    Gravado, em 75, para a JB’s, uma das várias marcas fundadas por Senator Jones, “I’ll cry over you” é o mais desejado desses belos discos e, na minha opinião, o seu mais genial momento.

    Uma deliciosa canção Crossover, com uns arranjos e uma produção fora de série e uma interpretação só ao alcance dos eleitos, que se transformou num verdadeiro troféu, entre os mais ambiciosos Djs e colecionadores da cena Soul especializada.

    Raro e cotado em várias centenas no mercado de usados foi reeditado, em 2003, pela saudosa Grapevine.

     

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  • Poder Soul

    15 abril 2019 – 19 abril 2019

    Quinta-feira

    Essex IV

    My reaction to you

    Windmill

    Os Essex IV são um misterioso grupo vocal, que apenas gravou um single, a meio da década de 70, e sobre quem não se sabe absolutamente nada.

    Ainda assim, os nomes envolvidos na produção deste sete-polegadas gravado em 75, para a pequena independente nova-iorquina Windmill, dão-nos algumas pistas e levam-nos a supeitar que os Essex IV terão sido um projecto de estúdio que, não tendo conseguido qualquer sucesso, ficou por aqui.

    É que “My reaction to you” foi produzido Bob Yorey e arranjado por Richie Rome, dois nomes importantes da cena Soul de Filadélfia, com carreiras iniciadas nos principio dos 60, que se viriam a cruzar nos dois primeiros discos que a mítica Reggie Sadler Revue gravou para a De-Lite.

    Bob Yorey trabalhou com nomes como Junior Lewis e Freddie Houston, para além der ter lançado o bem sucedido grupo feminino The Glories. Richie Rome tem o seu nome associado a artistas tão decisivos como Patty LaBelle, Yvonne Baker, The Showmen, The Vibrations ou Brenda + The Tabulations e, no mesmo ano em que se envolveu neste disco, inventou as dúvidosas estrelas Disco Ritchie Family, a partir das cinzas de Honey + The Bees.

    Este verdadeiro Graal Modern foi apresentado aos Djs chave do movimento Northern Soul mal saíu, por Bob Catteneo, então dealer de referência da cena especializada e transformou-se num cobiçado troféu, até aos nossos dias.

     

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    15 abril 2019 – 19 abril 2019

    Sexta-feira

    S.O.U.L.

    Burning spear

    Musicor

    Walter Winston, Gus Hawkins, Paul Stubblefield e Lee Lovett formaram os S.O.U.L., ou Sounds of Unity and Love, em Cleveland no Ohio, em 1970.

    Impressionados com uma actuação da banda, em Dayton, Herman Spero e Walter Masky, produtores do programa televisivo Upbeat, convidaram-nos a participarem num concurso de talento em que os S.O.U.L. não deram hipótese à concorrência, tendo logo a seguir assinado um contrato com a Musicor, que esteve na base de uma curta mas marcante carreira discográfica, traduzida em dois históricos Lps e quase uma dezena de sólidos singles, editados entre 71 e 75.

    Lado B do seu primeiro sete-polegadas e parte do alinhamento de “What it is”, o seu álbum de estreia – “Burning spear” está entre os momentos de eleição de um grupo que apenas produziu grande música.

    Esta espantosa versão do enorme clássico escrito por Richard Evans para os Soulfull Strings, é uma peça essencial da história da melhor música negra e, mesmo não sendo fácil de assegurar nos seus raros formatos originais, é obrigatória em qualquer coleção, quanto mais não seja numa das várias reedições de que foi alvo.

     

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