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Praça Paris

Praça Paris estreia-se nas salas de cinema portuguesas no dia 4 de outubro, com o apoio da Antena 3.

A premiada 13.ª longa-metragem da realizadora brasileira Lúcia Murat, co-produzida pela Fado Filmes, é um thriller psicológico que aborda a relação entre Camila (Joana de Verona), uma psicanalista portuguesa que está no Brasil a fazer uma pós-graduação sobre violência, e Glória (Grace Passô), sua paciente, num centro de terapia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Glória trabalha na universidade e tem uma história familiar muito complexa, que transborda para a sua relação com Camila.

O filme, que chega aos cinemas três dias antes das eleições presidenciais no Brasil, retrata a influência que o medo pode ter nas relações pessoais, familiares e profissionais e tem uma ressonância forte com as notícias do outro lado do Atlântico que recebemos frequentemente.

“A questão da violência sempre me interessou por ter sido parte da minha vida. No entanto, Praça Paris vai além disso. O filme trabalha sobre o medo e a paranoia numa relação entre duas pessoas com histórias e classes sociais diferentes. O medo do outro me parece algo implantado na sociedade brasileira hoje. E a partir desse medo sabemos que injustiças, agressões, mortes violentas acontecem, como no filme, um thriller que trabalha a intimidade dos personagens. Mais atual do que nunca, esse medo está em todos os lugares. A violência existe, mas a classe média tem uma relação com ela muito mais virtual: são os vídeos do YouTube de traficantes com armas pesadas, são as manchetes dos jornais, são as notícias que se acumulam do que acontece na periferia que nos fazem correr quando vemos um engarrafamento ou um agrupamento de meninos que possam ser identificados como ‘favelados’. A rotina da violência que eles vivem não é a nossa, mas ela chega até nós diariamente como se todos os pobres da periferia fossem seus autores. De vez em quando, ela chega mais perto, quando alguém de classe média perde a vida e, aí sim, vira primeira página de todos os jornais.” — Lúcia Murat