O desenvolvimento científico da electricidade, ao longo do século XIX, esteve na génese de sucessivas invenções que construíram a história das telecomunicações (as “comunicações à distância”) e do mundo globalizado: primeiro o telégrafo, (1837), depois os cabos submarinos (década de 1850), que ligaram o mundo, seguidos do telefone (1876), a partir do qual se tornou possível a transmissão de voz.
No final do século XIX, a emergência das radiocomunicações e posterior diversificação de aplicações introduziu um novo conceito de comunicação à distância: a radiodifusão.

Modelo do primeiro emissor de TSF utilizado por Marconi, 1895.  Arquivo da Companhia Portuguesa Rádio Marconi.

Modelo do primeiro emissor Marconi, 1895.
Arquivo CPRM.

Em 1897, Guglielmo Marconi conseguiu transmitir sinais através das ondas hertzianas (identificadas por Heinrich Hertz na década de 60), dando início à história das comunicações sem fios. As radiocomunicações depressa ocuparam um espaço privilegiado das comunicações marítimas e militares, alcançando também importância comercial. Depois da radiotelegrafia, o desenvolvimento da válvula de 3 eléctrodos por Lee DeForest, em 1906, abriu caminho para a transmissão de voz através do ar. No mesmo ano, Fessenden transmitiu música e voz via “rádio” pela primeira vez, lançando as bases da radiodifusão.

No contexto português, as primeiras experiências radiofónicas foram protagonizadas por amadores que, associando curiosidade científica e experimentalismo técnico, se dedicavam à montagem de aparelhos que permitiam, por exemplo, difundir concertos musicais gravados.

O potencial da rádio como meio de comunicação de massas evidenciou-se depois da I Guerra Mundial, resultando em boa parte dos processos de inovação decorrentes do conflito e do desenvolvimento industrial explosivo que lhe sucedeu. A partir dos anos 20, a indústria radioelétrica diversificou-se, tornando-se particularmente competitiva e levando os fabricantes a introduzir melhoramentos nas condições de recepção dos aparelhos, reduzindo interferências e ruídos.

Microfone de carvão Philips. Museu RTP.

Microfone de carvão Philips.
GMD/RTP.

As primeiras emissões regulares em Portugal terão sido asseguradas pela Rádio Lisboa, a partir de 1924 (P1AA), através de uma antena instalada no sótão dos Grandes Armazéns do Chiado. O entusiasmo pela radiofusão levou à multiplicação de emissores particulares, alguns de dimensão muito reduzida e que essencialmente transmitiam música gravada e palestras. Os diferentes equipamentos eram anunciados em revistas da especialidade, como a TSF em Portugal e Rádio Ciência, e o seu potencial demonstrado em exposições de radioelectricidade ou mesmo através de emissores ligados a Companhias nesta área.

Nos estúdios da CT1AA, em Abril 1930.  Arquivo RTP.

Nos estúdios da CT1AA, em Abril 1930.
GMD/RTP.

Nesta altura, face ao rápido crescimento de emissores por todo o mundo, a regulamentação internacional impôs-se. A Convenção Radiotelegráfica assinada em Washington a 25 de Novembro de 1927, atribuiu frequências para cada serviço de radiocomunicações, incluindo pela primeira vez a radiodifusão, clarificando-se também a função dos diferentes sistemas (radiotelegrafia, radiotelefonia e radiodifusão). Em Portugal, apesar dos esforços movidos pelo movimento associativo radiofónico, a regulamentação da TSF só teve lugar em 1930 e já em contexto de Ditadura Militar. Pouco depois, em 1931, foi criado o Rádio Clube Português, com origem num pequeno emissor instalado em 1928 por iniciativa de Botelho Moniz.

Apesar da multiplicação de emissores e da crescente adesão à rádio, o custo elevado dos aparelhos receptores só os tornava acessíveis a um público muito reduzido, contando-se pouco mais de 16 000 no País em 1933.