Teatro, a arte milenar que ao longo do tempo tem contribuído para divulgar culturas e expressar a própria humanidade. Comédias, dramas, farsas, revistas, tragédias ou mesmo na sua vertente infantil, o Teatro é fonte inspiradora.Em Portugal, em meados do século XX, a Emissora Nacional habituou os seus ouvintes a acompanhar o que de mais relevante era levado a palco. Eram Teatros transmitidos desde as grandes salas, mas também o Teatro Radiofónico, que diariamente entrava na antena. Os folhetins áudio foram o primórdio do que a televisão mais tarde glorificou com as telenovelas.
Sons de Arquivo recordando Os Dias do Teatro

IGREJAS CAEIRO E “ENSAIO GERAL”

Começou no Teatro no D. Maria II, sendo expulso mais tarde por ter assumido posições antifascistas. Posteriormente fundou e dirigiu o Teatro Maria Matos. A sua paixão levou-o, anos depois, a assumir o comando do programa “Ensaio Geral”, o verdadeiro Magazine do Teatro na então Emissora Nacional. Igrejas Caeiro foi também director de programas da Emissora e feito Comendador da Ordem da Liberdade já em 1995. Casado com a atriz Irene Velez, falecida em 2004, a Lelé dos diálogos de “O Zequinha e a Lelé”, ao lado de Vasco Santana, que o próprio Igrejas Caeiro produziu. Nesta apresentação de áudios do Arquivo da Rádio Pública, repomos alguns episódios de “Ensaio Geral” com Igrejas Caeiro.


Nesta emissão de 1961, Igrejas Caeiro apresenta dois momentos do ensaio de “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, peça que iria inaugurar a temporada do Teatro Nacional D. Maria. Curiosa foi a escolha do ator João Perry, feita através de um concurso.

Ainda no programa “Ensaio Geral”, um excerto da peça “Humilhados e Ofendidos” pelo Grupo Teatro Moderno de Lisboa, no Teatro Império. Atores, entre outros na peça Clara Joana, Morais Castro, Ruy de Carvalho e Carmen Dolores.

No “Ensaio Geral”, fala-se da peça “A Vida de um Herói”. Entrevista de Igrejas Caeiro ao autor Frederico Presler, no Teatro Avenida e que contava no palco com Artur Semedo, Eunice Muñoz e Madalena Souto, entre outros.


No Programa “Ensaio Geral”, entrevistas a atores da peça “Diabinho de Saias” que estava em cena no Teatro Monumental. Bibi Ferreira, era a atriz principal da companhia brasileira que na altura se apresentava em Lisboa.

No último destaque ao Programa “Ensaio Geral”,  um especial sobre a peça “Testemunha de Acusação” de Agatha Christie levada à cena no Teatro Monumental pela companhia de Vasco Santana. Em cartaz constavam Fernando Gusmão, Paulo Renato e Virgilio Macieira.

ENTREVISTAS

Os atores e atrizes eram estrelas da época. A rádio era o meio privilegiado para lhes dar notoriedade. Hoje recordamos entrevistas históricas a partir de registos do Arquivo da Rádio Pública.

Começamos com a entrevista a Amélia Rey Colaço numa altura em que o Teatro Nacional D.Maria II levava à cena, “Os Maias”. Gravação da Emissora Nacional.

Mais uma entrevista, ouvimos Mariana Rey Monteiro e Amélia Rey Colaço, sobre a sua estreia na Cidade do Porto com a Peça “Antigona” de Julio Dantas.

Momento histórico, o adeus de Margarida Adelina Abranches à Emissora Nacional, no momento da retirada da comediante, falando dos seus 60 anos de palco.

Aqui é a vez do ator Alves da Cunha falar sobre as diferenças entre o Teatro de Palco e Teatro Radiofónico.

E  João Villaret lembrando a sua carreira de ator.

Do programa “Revista Sonora” da Emissora Nacional, entrevista a Beatriz Costa sobre a sua atuação no Porto na revista “Ela Aí Está” e na qual refere o talento de Eugénio Salvador.

Abaixo, escutamos outro grande talento do Teatro português, Palmira Bastos. Entrevistada por Nuno Fradique, a propósito da deslocação ao Brasil no Congresso Nacional do Teatro, falando de momentos e projetos da sua carreira.

Esta é uma entrevista à dupla “Zéquinha e Lelé” (Vasco Santana e Irene Velez), durante uma visita ao Porto, para atuar no Sá da Bandeira.

Escutamos a seguir, uma entrevista de Igrejas Caeiro a Mirita Casimiro, Elvira Velez (atrizes) e Romeu Correia que era o autor. A Peça “Isaura” preparava-se para estrear no Teatro Maria Vitória.

NOMES CONSAGRADOS EM PALCO

Nesta revista de grandes momentos do Teatro português, recuperamos do Arquivo passagens de folhetins radiofónicos e gravações de peças em exibição nos Teatros de Lisboa, com gravação da Emissora Nacional. Neles encontramos nomes que marcaram o tempo e ganharam, notoriedade e reconhecimento, como atores e atrizes de grande talento.

Num folhetim radiofónico, em 1972, Catarina Avelar e Eunice Munõz são “As alegres Comadres de Windsor”, vítimas da intriga amorosa do senhor Falstaff na peça de Shakespeare.

Aqui assistimos a um diálogo denominado “Espírito das Cidades” com Laura Alves e Soares Correia na revista “Tiroliro” sobre a destruição da 2.ª guerra mundial.

Do programa “Momento 71” da emissora, transmitido em 15 de Março de 1971, para evocar os “Idos de Março”, peça de Shakespeare e o assassinato de Júlio César. O ator Rui Mendes representa a figura histórica de Marco António, no famoso discurso fúnebre que é autorizado a fazer por Brutus, um dos assassinos do imperador.

Em “Pedro o Cruel”, escutamos a seguir, a revolta do rei contra o assassinato de Inês de Castro, de Marcelino de Mesquita, declamada por Carlos Santos.

“Atrás da Porta” de Costa Ferreira, foi um dos destaques nos Companheiros da Alegria, com Laura Alves, Fernanda Borsatti, Ruy de Carvalho, Paulo Renato, João Villaret, entre outros.

Aqui, o Teatro musicado, onde a comédia era o mote. Mirita Casimiro era estrela em “Zé Povinho”.

E Vasco Santana aparece no seu habitual esplendor, interpretando “O Vendedor de Brinquedos”.

Ainda Vasco Santana em “O Caçador” (Histórias de Caçadas), com locução de Maria Leonor, outra das vozes clássicas da Rádio nacional.

Na peça infantil, baseada na clássica história do Capuchinho Vermelho, escutamos um pouco da interpretação de Maria José e de Fernando Curado Ribeiro.

EXCERTOS DE PEÇAS TRANSMITIDAS NA RÁDIO

Há poucos anos, numa peça transmitida na Antena 1, gravada no atual Museu da Rádio, eram revisitadas as técnicas que serviam para reproduzir sons na gravação do Teatro Radiofónico. O que hoje é feito por uma base de gravações digitais sem fim, na época requeria uma tremenda imaginação e criatividade.

Consulte Guiões de Teatro Radiofónico no Museu Virtual da RTP

Desses tempos de Teatro Radiofónico, guardamos algumas passagens.

Em 1927, um dos primeiros registos, num monólogo da revista “Rosas de Portugal” de Alves Coelho e Raul Portela. Com Adelina Abranches.

Outro monólogo. Da revista “Capote e Lenço” com Medina de Sousa, Pinto Ramos e Duarte Silva, o humorístico “Quiromancia”, poema de Hermes Fontes, por Henrique Fortes.

É a vez de visitar “As Trolhas de Cornélia”, da peça “A Ceia das Sogras” com Maria Matos e Sofia Santos.

Abaixo, um excerto radiofónico da peça “O Doente de Cisma” de Moliere. Com interpretação de Maria João Vale, Constança Navarro, Augusto Figueiredo, Henrique Santos, Jaime Santos. Locução de Nuno Fradique


Outra peça de Teatro Radiofónico. “Uma Noite em Monte Carlo” de Jean Marcel, com Maria João do Vale, Álvaro Benamor, Manuel Correia, Jaime Santos, Artur Semedo e Henrique Santos.

A seguir “Terra de Sol”, peça dedicada às tropas expedicionárias nos Açores, transmitida em Dezembro de 1941. A peça foi gravada ao vivo por atores do Parque Mayer.

Abaixo, a revista “Feira do Porto” esteve em exibição no Teatro Sá da Bandeira.

Todas as peças de Teatro Radiofónico tinham uma descrição do cenário em que a ação decorria. Aqui, o resumo do acto da peça “Casa de Boneca”, transmitida pela emissora nacional, transmitida em 1946.


A peça “A Paz” de Aristófanes, merece também referência. Contava com os atores Augusto Figueiredo, Manuel Correia, Henrique Almeirim, Henrique Santos, António Santos António Cruz, José Cardoso e Jaime Santos.

Outra introdução à peça “Não Consultes Médico”, transmitida pela Emissora Nacional.

Aqui um excerto final de “A Voz Humana” de Jean Cocteau, interpretada por Maria João Vale com locução de Fernando Moreira.

Um pouco da “Ceia dos Cardeais”, de Julio Dantas. Estávamos em 1948, com Alves Cunha, João Villaret e Assis Pacheco.


Mais uma passagem. Aqui da peça “Frei Luís de Sousa”, com Maria João do Vale e Augusto de Figueiredo na interpretação

De 1948, excerto da peça “Os Dois Cavaleiros de Verona” de Shakespeare. Com Maria João do Vale, Constança Navarro, Augusto Figueiredo e Manuel Lereno.

Abaixo “Eumenides”, da Trilogia de esquilo “Orestia” com Maria João do Vale, Constança Navarro, Lucia Cabral , Manuel Lereno, Jaime Santos, Manuel Correia, Artur Semedo, Francisco Cunha, Rui Ferrão, Beatriz Santos e Maria José.

Um excerto da opereta “Ele Aí Está” que foi ao palco no Teatro Maria Vitória, onde brilhavam Aida Batista, Júlio Barroso Lopes, Carminda Pereira, Eugénio Salvador e Hermínia Silva.

“Irmão e Irmã” de Johann Wolfgang Von Goethe, teve adaptação para rádio. Ao microfone, Augusto Figueiredo e Álvaro Benamor

Excerto de “A Muralha” que subiu a palco no Teatro Nacional D. Maria II, com Amélia Rey Colaço.

Excerto de “As Três Irmãs” de Anton Tchekhov, gravado no Teatro da Trindade. Com Jacinto Ramos, Sales Ribeiro, Joaquim Rosa, Maria Albergaria, entre outros.