O desejo da fama, muito associado à boémia e ao sexo fácil e descomprometido. A noite como palco de excessos, de sexo, de bebida e de amizades fugazes feitas entre o barulho da música, das luzes e as promessas inebriadas de paixões desvanecidas pelos primeiros raios de sol, que arrastam consigo o dia e denunciam fragilidades impercetíveis no crepúsculo. Este é o ambiente que a 4Play retrata e onde as personagens se movimentam.

Uma visão de vida fácil, sem complicações e pouco trabalho, que entra em contradição com o que se propõem a fazer – escrever uma série de televisão, usando como inspiração um jogo que se centra nas suas proezas sexuais.

Na 4Play, o desafio será mostrar como a realidade dos jovens de hoje está impregnada de exageros, que mais parecem ficção. Mostrar como sobrevivem aos exageros, facilidades e aparente libertinagem dos dias de hoje, os sentimentos de sempre – amor, paixão, amizade, cumplicidade… Elementos comuns à vida e à ficção que lhes dão tempero.

Uma das premissas do argumento é a sua capacidade de refletir sobre uma camada jovem que vive asfixiada pela ideia do que a sua imagem causa aos outros. A procura constante de se exibir e de projeção nas redes sociais, de modo a que todos sejam testemunhas das suas vivências, o que causa uma falha de privacidade. De repente tudo é público e não há limites para a exposição. Hoje, nas redes sociais, todos temos acesso a murais ficcionados sobre cada um dos nossos “amigos”, numa dualidade entre ficção e realidade.

 

 

A tensão entre este modo de vida inconsequente, as necessidades e as inseguranças, que o grupo de amigos vive, serão a grande fonte de inspiração das situações às quais as personagens terão de responder com a sua personalidade, com as suas fragilidades e com as suas goradas expectativas.

É do confronto entre as diferentes personagens e as situações em que se colocam, que nasce o ridículo. É da dor que nasce a comédia.

Ao longo da série, queremos aproximar-nos de um registo mais cru, para uma linguagem unificada em que a câmara se sente livre de acompanhar todos os movimentos das personagens, fazendo destes a forma determinante de a história evoluir. A banda sonora, maioritariamente composta pela banda de punk-rock GoBabyGo, dá um caráter mais irreverente à série.

Não podemos deixar de referir Carolina nesta nota de intenções, tão dona de si e do seu corpo, que não se deixa submeter ao estereótipo de “rapariga no meio dos homens”. Não fazendo parte da pontuação, Carolina é uma jogadora assídua e estratega, porém os seus objetivos são diferentes.

Sem grande pudor pela sua linguagem crua, a nudez também é um aspecto a salientar. Ela existe porque a história se centra na vida sexual do grupo. Torna-se natural.

 

Luís Porto | Criador e Realizador