Escritora, poeta e polémica

Nasceu na ilha de São Miguel e deixou os Açores com 11 anos. Destacou-se como uma das mais influentes figuras intelectuais da segunda metade do século. Possui uma obra literária extensa que inclui poesia, romance, teatro, ensaio e tradução.

De espírito libertário Natália é uma personalidade polémica da sociedade portuguesa, que se caracteriza por uma forte intervenção política, com especial atenção para a cultura, o património, a defesa dos direitos humanos e, em especial, os direitos das mulheres. Mas também se caracteriza pela ousadia artística. É uma mulher que tem noção da conceção do mundo. Mas na sua vida também existem fantasmas e… amores.

Na década de 50 a sua casa era um autêntico salão literário, aí se reunia uma das mais vibrantes tertúlias de Lisboa, onde compareciam as mais destacadas figuras das artes, das letras e da oposição política nacional e internacional. Obras como o Homúnculo e Antologia Erótica e Satírica são sinónimo da sua irreverência. A edição da Antologia foi considerada um escândalo literário e de imediato apreendida pela PIDE, tornando-se matéria de julgamento em Tribunal Plenário.

No início dos anos 70 abre o bar Botequim, um espaço de tertúlia que se tornou referência da noite lisboeta.

 

 

Ao longo da sua vida cruzou-se com várias figuras que marcaram o seu percurso pessoal e profissional, como o poeta exuberante Ary dos Santos [Jorge Vaz Gomes], o pensador e político António Sérgio, o conceituado poeta e pintor Mário Cesariny [Elmano Sancho], o polémico e excêntrico editor Fernando Ribeiro de Mello [Isac Graça] e o escritor Luiz Pacheco [Pedro Inês]. A editora Snu Abecassis [Victoria Guerra] e a jornalista Maria Armanda Falcão [Maria João Bastos] acabariam por se cruzar também na sua vida.

O seu pensamento levou-a, posteriormente, a outros caminhos. Fundou a Frente Nacional para a Defesa da Cultura e na política interveio na defesa dos direitos humanos e dos direitos da mulher.

Conhecida pela seu livre pensamento sobre os padrões sociais, Natália Correia encontrou no amor um refúgio. Nos anos 60 conhece Alfredo Luís Machado, empresário e dono do Hotel do Império, considerado uma “extensão” da casa de Natália, e um cenário de conspirações políticas. Foi palco de reuniões secretas com o General Humberto Delgado, onde estiveram presentes Vera Lagoa e Natália Correia e muitos outros apoiantes, nos meses que antecederam as eleições de 1958.

Alfredo e Natália casam-se em julho de 1953 e passaram a viver perto do Hotel do Império.

Natália Correia foi uma mulher marcante do nosso país que deixou a sua impressão digital no meio literário e político, pelo seu carisma social e pela sua notoriedade intelectual.