Jornalista, cronista, locutora e empresária

Filha de um major do exército português e descendente de republicanos, Maria Armanda nasceu em Moçambique, colónia portuguesa. Aos 16 anos chega a Lisboa onde começa a trabalhar como secretária. Em 1957, torna-se conhecida por ser a primeira locutora de continuidade da RTP.

A jornalista participa ativamente na luta contra o regime de Salazar participando nas candidaturas da oposição (Humberto Delgado), integrando manifestações de contestação e dando apoio às famílias dos prisioneiros políticos.

Ao longo da sua vida cruzou-se com várias figuras, como o poeta exuberante Ary dos Santos [Jorge Vaz Gomes], o romancista e bon vivant Luís Sttau Monteiro [Pedro Lamares] e o resistente antifascista José Manuel Tengarrinha [Afonso Lagarto], com quem casou. Conhecerem-se durante a campanha presidencial de Humberto Delgado, em 1958. Mas quando José Manuel foi preso pela polícia política três anos mais tarde, Maria Armanda viveu um período de desespero. Acabaram por separar-se quando ela se tornou cronista no Diário Popular, após a sua saída da RTP, em 1965. No jornal, onde passou assinar os seus textos como Vera Lagoa, ganhou notoriedade com a sua crónica Bisbilhotices de Vera Lagoa, um espaço de critica social. Sem papas na língua e ousadia na escrita, detestava a mediocridade e a petulância. Foi sempre lutando pelo seu reconhecimento profissional e pela obtenção da Carteira Profissional de Jornalista, que lhe era recusada.

 

 

Durante o período “Marcelista” torna-se uma notória figura pública, nomeadamente com a organização dos concursos de Miss Portugal. Após a revolução afirma-se como ativista de direita e torna-se diretora do jornal “O Diabo” ao longo de 15 anos. Quando impedida de editar o seu jornal pelo Conselho da Revolução lança o semanário “O Sol” que é abruptamente interrompido pela deflagração de uma bomba. Posteriormente, codirige “O País” e colabora com “O Tempo”.

Durante a sua carreira jornalística é várias vezes levada a tribunal, acusada de injúrias e difamação. Um dos seus importantes combates jornalísticos é a denúncia do caso Camarate. Deixa publicado o livro ‘Histórias de Revolucionários Que Eu Conheci’. Vera Lagoa foi uma mulher de armas que nunca desistiu de lutar por aquilo em que acreditava. Uma sociedade livre de censura e desigualdade social que o Estado Novo perpetuava na nossa história.