Resistente antifascista e intelectual

Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas, José Manuel Tengarrinha foi escritor, professor, jornalista e historiador.

Nos anos 50 inicia as investigações sobre a história oitocentista portuguesa e torna-se jornalista profissional a partir de 1953. Passa pelo jornal “República”, revistas “Vórtice”, “Seara Nova” e “Diário Ilustrado” onde é chefe de redação até 1962. Membro do MUD Juvenil enquanto estudante, José Manuel permanece ligado à oposição antifascista e participa na campanha presidencial de Humberto Delgado (1958) onde conhece a sua futura mulher Maria Armanda Falcão.

A sua irmã, Margarida Tengarrinha, é do PCP e vive na clandestinidade como companheira do pintor Dias Coelho. Em dezembro de 1961, na sequência de uma campanha de opressão que vitima Dias Coelho, é preso aparatosamente na redação do jornal pela polícia política. Na PIDE sofre a tortura do sono durante oito dias consecutivos e fica aprisionado durante dois meses.

Proibido de exercer a profissão de jornalista e de dar aulas, José Manuel trabalha em traduções e como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian inicia o trabalho de investigação sobre a história do jornalismo. Como historiador torna-se clássica e pioneira a sua obra “História da Imprensa Periódica Portuguesa” editada em 1965.

Separa-se de Maria Armanda Falcão no momento em que ela adquire estatuto como cronista social. Em 1973 participa no Congresso da Oposição Democrática de Aveiro e volta a ser preso pela PIDE.